Ponto de Vista de Seraphina
Que cena encantadora – meu "leal" companheiro, que supostamente estava em uma viagem de negócios para Los Angeles, aparecendo magicamente aqui, no território da Alcateia.
E adivinhe com quem ele estava? Maria, sua suposta "companheira de negócios", praticamente colada a ele num vestido prateado tão justo que parecia pintado.
Ele estava sussurrando algo no ouvido dela, fazendo-a rir como uma adolescente boba. A mão com aquela pulseira de diamantes brilhante que ele deu a ela? Descansando de maneira bem confortável no peito dele.
A marca do laço na nuca, aquela que nos liga como companheiros destinados, de repente começou a queimar como o inferno – como se alguém estivesse pressionando um ferro em brasa bem nos meus nervos, tentando gravar a dor nos meus ossos.
A Margaret? Aquela mulher é a própria definição de mesquinharia. Não havia como ela me deixar sair daqui sem tentar me humilhar.
Soltei uma risada fria e fui direto em direção a Marcus.
"Ora, Alfa Marcus", disse eu, alto o suficiente para os dois se virarem, "já de volta? Sua viagem para LA acabou rápido, hein." Meu tom estava carregado de sarcasmo.
O rosto bonito dele mostrou um lampejo de pânico, rapidamente disfarçado por sua habitual arrogância.
E bem na hora, a Margaret apareceu como se estivesse flutuando, toda convencida como sempre. Ela passou o braço pelo de Maria como se tivesse ganhado um troféu e se virou para mim com sua melhor voz de 'estou sendo educada, mas na verdade estou me exibindo'.
"Ah, Seraphina, você está aqui," disse ela, docemente. "Esta é Maria, filha do Alfa da Alcateia Sunfang. Uma de nossas aliadas mais valiosas."
Então, ela se virou e deu a Maria um sorriso acolhedor. "Maria, esta é Seraphina, uma... gerente de projetos na empresa do Marcus. Pedi que ela viesse porque queria dar a ela algumas lembranças da minha última viagem."
Gerente de projetos. Sério? Com essa única frase, ela apagou meu status de Luna e me reduziu a apenas uma funcionária.
Nossa cerimônia de vínculo tinha sido pública – todos sabiam que eu era a Luna dele. Mas lá estava ela, tentando pintar um quadro onde eu não significava nada, onde até mesmo Maria podia se sentir segura me ignorando.
Maria nem se deu ao trabalho de apertar minha mão. Ela só lançou aquele sorriso falso de socialite. "Ah, já a vi antes," disse ela com desdém. "Na semana passada, na verdade – ela meio que esbarrou em nós enquanto estávamos... curtindo no carro do Marcus."
"O quê? Sera, sério? Por que você fez isso? Está louca?" Margaret exclamou.
"Sim, completamente pirada," eu disse, olhando diretamente para Marcus e dando um sorriso de lado. "Posso acabar mordendo todo mundo, é melhor tomar cuidado. Agora, sobre aquelas lembrancinhas, estou esperando."
Marcus ficou parado como uma estátua, bonito demais e quieto demais – como se achasse que eu estava blefando e não ia fazer confusão.
Apenas uma humana nesse mundo de lobos, o que eu poderia fazer?
Ah, ele logo iria descobrir.
Margaret sorriu como se tivesse acabado de ganhar a batalha. "Marcus, Maria, continuem dançando," ela disse com ar vitorioso. "Seraphina, por que você não me ajuda a servir chá para os nossos convidados?" Ela se virou para mim, fingindo inocência. "Parece bom?"
"Claro," respondi com um sorriso falso. "Mais do que feliz em ajudar."
Um garçom de repente me entregou uma bandeja. Notei que os copos de Maria e Marcus estavam vazios, então alegremente acrescentei um ingrediente especial ao chá deles – apenas um pequeno toque da minha própria saliva.
Então, deslizei até eles. "Senhorita Maria, dançar deve ser exaustivo. Achei que você precisaria de algo forte para animá-la." Ela pegou a xícara com um sorriso satisfeito, claramente gostando da atenção.
"Alfa Marcus, posso lhe oferecer algo?" Virei-me para ele.
"Marcus, acho que você deveria experimentar isso. Acabei de tomar um gole e é realmente melhor do que qualquer coisa que já provei – tem um sabor meio salgado... Você tem que provar," Maria comentou, visivelmente contente.
Marcus hesitou por um segundo, depois pegou a xícara. No momento em que tomou um gole, eu podia literalmente sentir seus olhos queimando em mim como se ele tivesse acabado de perceber algo.
Peguei a bandeja e saí rapidamente.
Como esperado, duas figuras graciosamente surgiram e bloquearam meu caminho.
"Oh, uau, se não é a Seraphina?"
Clarissa e Bethany. Lobas nobres clássicas. Desde que virei a companheira de Marcus, elas nunca pararam de me lançar olhares indiscretos.
Clarissa está ligada ao Gama da alcateia, e Bethany ao filho do ancião. Estão sempre grudadas como duas urubus que vivem da miséria alheia.
Clarissa fingiu um espanto e cobriu a boca. "Querida, esse visual... tão único. Por um segundo pensei que você fazia parte da equipe de limpeza."
Ela nem precisou levantar a voz, apenas o suficiente para os que estavam por perto ouvirem. Os risinhos que se seguiram pareciam agulhas finas espetando minha pele.
Bethany entrou logo na conversa, com aquele sorriso doce que sempre tinha um toque afiado. "Clarissa, vamos lá. Seja legal. Quero dizer, Marcus nunca a trouxe para nenhum evento de verdade antes, né? Talvez ela nunca tenha aprendido como nossa alcateia lida com essas coisas. Honestamente, ele provavelmente acha que trazê-la é... meio embaraçoso."
Clarissa parecia um pouco desapontada com minha expressão calma e decidiu partir para o ataque. Ela deu um suspiro falsamente simpático e se aproximou.
"Sinceramente, esses laços de companheiros predestinados realmente bagunçam a vida das pessoas, né? Forçar nosso incrível Alfa a estar ligado a alguém tão... abaixo de seu status. Mas, olhando ali," ela apontou para Marcus e Maria, "ele finalmente parece estar acordando. Maria é elegante, nobre... perfeita para ser uma Luna, não acha?"
Finalmente olhei para elas, só observando calmamente como se fossem dois macacos cheios de cafeína tentando encenar Shakespeare.
Minha calma definitivamente as desconcertou. O sorriso ensaiado de Clarissa tremulou por um segundo.
"Clarissa,"
Minha voz estava suave, mas cortou o barulho como gelo caindo em óleo fervente. "Você parece... ansiosa hoje."
Seu sorriso congelou. "Desculpe, o quê?"
"Eu disse," me aproximei, com a voz carregada de doçura e veneno, "sua maquiagem está borrando. Chorando de novo? Não a culpo – o Leo anda ocupado fazendo papel de cachorrinho para aquela nova dançarina no clube Moonshade. Sabe, aquela que tem atributos que fazem lobos adultos babarem."
Clarissa ficou pálida. Seu sorriso perfeito desmoronou completamente.
Seus lábios se moveram, mas nenhuma palavra saiu. As lobas que riam por perto de repente encontraram coisas mais interessantes para olhar.
Eu não hesitei nem por um momento. Meus olhos se voltaram para Bethany em seguida.
"E você, Bethany," eu lhe dei um sorriso e observei seu rosto se transformar de choque, "sobre o investimento na Crescente Tech que seu pai fez no último trimestre – lembra quem rejeitou? Fui eu. Acho que ele esqueceu de te falar que afundou tanto que sua família acaba de perder os lucros dos próximos três anos. Esse colar no seu pescoço? Melhor conferir o valor de revenda em breve."
Bethany tremeu, segurando seu colar instintivamente enquanto o medo tomava conta de sua expressão.
Ela achou que os segredos da família estavam bem guardados, mas, como alguém que gerencia as operações principais da empresa de Marcus, eu vi tantas transações sujas no topo da cadeia. Pouca coisa passava despercebida por mim.
Dei um passo à frente, diminuindo a distância entre nós, e disse diretamente: "Então, senhoras, enquanto vocês estão ocupadas julgando minha roupa, eu estou limpando a bagunça que seus maridos deixaram para manter a empresa funcionando, apenas para continuarem financiando suas vidas extravagantes e vazias."
Um sorriso frio e vitorioso surgiu nos meus lábios.
"Francamente, vocês deveriam me agradecer em vez de latir como cães vadios. Agora, se me dão licença, eu tenho um negócio de bilhões de dólares para fechar. Ao contrário de vocês, eu não dependo do sobrenome de um homem para definir meu valor – eu o conquisto."
Marcus finalmente olhou para mim, e seu rosto mudou – qualquer sinal de superioridade desapareceu, deixando algo mais cauteloso.
Ele tentou se afastar de Maria reflexivamente, mas ela apenas o segurou mais forte, como uma hera envolvendo uma árvore.
Nos olhos de Maria brilhou um lampejo de ódio, mas foi rapidamente enterrado sob aquela máscara perfeita e triste que ela usava tão bem.
Soltando Marcus, ela deslizou em minha direção, cada passo medido como se tivesse ensaiado em frente ao espelho.
Ela parou perto o suficiente – amistosa, mas mantendo aquela distância da alta sociedade.
"Oh, Seraphina," ela soltou uma voz doce o bastante para causar cáries. "Você está bem? Foram longe demais agora."
Quando ergueu a mão para me tocar, dei um pequeno passo atrás, desviando de seu ato gentil.
"Estou bem," eu disse. "Mas, sinceramente, obrigada pela preocupação, Senhorita Maria. Você tem feito tanto por nós."
"O quê?" Maria piscou, confusa.
Eu lhe dei meu melhor sorriso de 'garota de fraternidade' – aquele que diz 'estou sorrindo enquanto mentalmente te coloco em chamas'.
"Oh, você é uma joia – cuidando do meu marido e ainda encontrando tempo para checar como está a esposa dele, legalmente casada."
Seu rosto endureceu. Eu me aproximei, com a voz exageradamente doce.
"Entre ser o enfeite de braço dele e a consultora pessoal de fetiches nas 'viagens de negócios', fico impressionada que você ainda encontre tempo para respirar. Mas hey, alguém tem que mantê-lo na linha, não é?"
Sons de surpresa percorreram pela multidão.
O rosto de Maria ficou de um vermelho desagradável. "Você... Você está inventando isso!"
"Ah, sério? Esse tipo de dedicação tão próxima deve ser exaustiva," eu disse, cada palavra carregada de veneno. "Então achei que você merecia algo por todo o trabalho. Algo real."
Eu abri minha bolsa e, sob os olhares espantados de todos, calmamente tirei um talão de cheques e uma caneta.
"Então, Dona Maria," eu disse, segurando o talão de cheques na palma, "quanto vale o seu serviço? Diga seu preço. Cem mil? Um milhão? Ou você cobra por hora?"
E então, acrescentando docemente: "Ah, e se você estiver trabalhando no carro, certamente há uma taxa por espaço apertado, né? Isso deve custar extra."
Você poderia ouvir uma agulha caindo no salão de festas.
Um segundo. Dois.
E então alguém não se aguentou.
"Ha–"
Foi tudo o que precisou. De repente, risadas altas explodiram pelo salão como uma onda rompendo uma represa. As mulheres se dobraram, gargalhando, lançando olhares de puro desgosto para Maria.
"BASTA!"
O rugido furioso de Marcus explodiu ao meu lado.