Ponto de Vista de Seraphina
O rugido de Marcus silenciou todos instantaneamente. Ele abriu caminho pela multidão e me agarrou pelo braço com uma força que quase quebrou meus ossos.
"Venha comigo", ele rosnou entre dentes cerrados.
Ele me arrastou, o silêncio mortal nos seguindo, até me puxar para um quarto vazio ali perto. A porta se fechou com um estrondo quando ele a chutou.
Ele me soltou – mas só para girar e me empurrar contra a porta. Sua figura alta me cercou completamente, sua sombra me engolindo inteira.
Seus olhos âmbar estavam vermelhos como sangue, e a fúria neles era de algum modo ainda mais assustadora do que quando ele se transformava.
"No que diabos você estava pensando, Seraphina?" Sua voz tremia com uma raiva quase incontrolável. Ele tentava soar calmo, mas a raiva transparecia em cada palavra. "No meu território, na frente de toda a alcateia – você me humilha e humilha minha convidada?"
"Sua convidada?" Eu zombei, olhando bem nos olhos dele sem um átomo de medo. "Ah, Marcus, você quer dizer aquela mulher se contorcendo no banco de trás do seu Bentley como uma c****a desesperada no cio? Engraçado, a maioria chama isso de amante. Ou, se formos diretos–"
"Cale a boca!" ele interrompeu, segurando meu queixo com uma mão, forçando minha cabeça para cima. A força por trás daquele aperto não era brincadeira – parecia que meus ossos iam rachar sob a pressão.
"Maria não tem nada a ver com você," ele rosnou. "Seu único trabalho é ser a Luna perfeita – quieta e apresentável."
"Eu já estava fazendo isso," eu consegui dizer, lutando para falar com a mão dele no meu pescoço. "Você e sua mãe me arrastaram para esse circo para assistir você performar. E agora quer fingir que sou eu quem está no banco dos réus? Sério, Marcus? Onde está seu julgamento de Alfa todo-poderoso agora?"
"O quê?!" Ele ficou genuinamente surpreso por um segundo, piscando em confusão. Mas então seus olhos suavizaram. "Se você for embora agora, prometo que minha mãe não vai te incomodar novamente. Eu vou garantir isso."
"Eu não vou a lugar nenhum," eu disse secamente. Eles achavam que podiam me humilhar e depois me manipular para fingir que nada aconteceu? Nem pensar.
"O que você quer, então?" Marcus zombou. "Invadindo como uma lunática, irritada porque eu não te levei ao baile?"
Eu me desvencilhei do aperto dele e o encarei de volta. "Marcus, por favor. Eu não dou a mínima em qual cama você se mete hoje em dia. Eu só quero saber – por que você ainda não cortou o vínculo comigo? Você poderia estar com sua lobinha sem ter que se esconder."
Aquela pergunta fez seu rosto escurecer num instante. "Já respondi isso," ele rebateu. "Você foi um presente da Deusa da Lua. É minha companheira – não vou romper esse laço sagrado."
"Sagrado?" Eu deixei escapar uma risada curta e fria que queimava no peito. "Essa palavra passou pela sua cabeça quando estava transando com outra mulher?"
"Já chega, Seraphina!" O rosto dele ficou rubro enquanto ele rosnava, furioso. "Cansei de ser bonzinho. Se ousar trazer isso à tona novamente, juro que despejo seus pais idosos do clã Crescente sem pensar duas vezes!"
Meu sangue gelou por completo.
Parecia que gelo inundava cada veia, o frio subindo pela minha espinha, mais letal do que qualquer lâmina de prata.
Ele sabia – sempre soube. Meus pais eram meu ponto fraco. Apenas lobisomens comuns na alcateia, sem status, sem força. Sem a p******o da alcateia, não sobreviveriam a um único inverno.
"Você é um verdadeiro cretino, Marcus," eu disse, a voz trêmula – não de medo, mas de pura decepção. Nele. Em mim mesma. Como pude me apaixonar por alguém assim?
"Não n**o se está tentando me provocar," ele disse, os olhos brilhando cruelmente. "Mas se me testar, vai ver seus pais serem despedaçados por capangas."
Olhando para seu rosto irritantemente bonito, contorcido de ameaça, meu peito apertou como se algo invisível estivesse espremendo meu coração. Achei que ele fosse apenas arrogante, talvez um galanteador. Mas isso… isso era pura crueldade.
Ele não estava apenas me ameaçando; estava usando a vida dos meus pais para me forçar a me submeter.
E pelo jeito que seus lábios se curvaram ligeiramente para cima, ele estava saboreando cada segundo da minha reação. Ele baixou o tom, impregnando-o com uma gentileza perturbadoramente falsa.
"Eu amo você, Seraphina. Eu só… cometi um erro, como qualquer alfa poderia. Fique. Fique e seja minha Luna, e prometo que serei mais cuidadoso daqui para frente. Nem vou me importar com o que você faz fora destas paredes – contanto que fique onde eu possa te ver. Quero que me ame… como me amava antes."
Ele disse que queria que eu o amasse.
Enquanto usava a vida dos meus pais para me chantagear. Enquanto me despedaçava. E ainda assim, com a cara mais limpa, ele dizia que me amava.
Isso não era amor. Era posse. Ele não queria uma companheira – queria alguém que se curvasse a cada capricho seu. Queria a conexão profunda de almas destinadas enquanto ainda desfrutava de todas as vantagens físicas que o mundo exterior podia oferecer. Ele queria tudo.
Aquela raiva – quente, destrutiva, incontrolável – irrompeu de dentro de mim, queimando cada último fio de paciência que eu tinha.
Pá!
O t**a ecoou, alto e claro, enquanto eu colocava toda a força naquele golpe, acertando em cheio seu rosto perfeito demais.
O mundo todo apenas… congelou. Tudo ficou em silêncio absoluto naquele momento.