Kelly acabou me adormecendo ali, sentada no chão, com a cabeça encostada no sofá, a mão repousando sobre a minha perna, como se dissesse: "estou aqui, não vou sair do seu lado." Algumas horas depois, acordei com o corpo pesado, as dores latejando e o coração apertado ao vê-la naquela posição desconfortável. Tentei me levantar. — Não, Otávio... não faz isso, por favor — ela sussurrou, abrindo os olhos com preocupação. — Você não pode ficar dormindo assim, Kelly. Vai acabar com dor nas costas — falei, tentando sorrir. — E você precisa descansar, Otávio — ela rebateu com firmeza, mas os olhos marejados. — Olha quantos tiros você levou, meu amor. Você tá aqui por um milagre... por favor, me deixa cuidar de você... pelo menos uma vez. Meus olhos se fixaram nos dela por um instante. Quanta

