Um mês se passou desde aquela tarde em que ela deixou Otávio passar o creme com carinho sobre suas marcas. O tempo não apagou todas as cicatrizes, mas transformou muitas delas em sinais de força. Kelly agora andava pela casa com mais firmeza. Ainda evitava longos espelhos… até aquele dia. Estava sozinha no quarto. A luz do entardecer entrava pela janela, tocando o espelho de corpo inteiro encostado à parede. Ela se aproximou devagar, o coração acelerado, as mãos frias. Fazia meses que não se olhava de verdade. Respirou fundo e se posicionou em frente ao espelho. Os olhos demoraram a subir, mas quando o fizeram, ela viu algo que não esperava: beleza. Seu rosto ainda tinha delicadeza. As marcas haviam clareado tanto que m*l podiam ser notadas. Os traços estavam mais vivos, os olhos menos

