Otávio tomou mais um gole do café, olhou ao redor e completou:
— É o que eu penso, né, manos? Porque se elas moram sozinhas, não vão todos os dias pro fogão cozinhar. Então por que quando a gente mora junto elas têm que fazer isso todo dia?
Marcos assentiu na hora.
— Pior que é verdade, mano. Nem a gente faz isso!
Caio riu e entrou na conversa:
— Eu mesmo, muitas das vezes, só tomo um café e vou dormir, véi.
Leandro completou:
— Pois é. Não é todo dia que a gente tá disposto, imagina elas que ainda têm uma carga emocional e física muito maior.
Otávio concordou com um aceno e seguiu, com o tom mais sério:
— Eu não sobrecarrego a Kelly. Eu deixo ela descansar. Tem dia que eu mesmo falo: “Amor, não precisa cozinhar hoje não. Deixa que eu vou pra cozinha.”
Ele sorriu lembrando.
— E tem outros dias que eu falo: “Amor, vou pedir alguma coisa pra gente comer, um lanche.” Ou então: “Se arruma, vamos jantar fora.” Porque nunca, nunca eu vou sobrecarregar minha mulher. Eu sei do cansaço que ela já carrega no dia a dia. E não é justo jogar mais peso ainda.
Os meninos olhavam pra ele com respeito.
— Esse é o conselho que eu dou pra vocês, manos: morar junto é maravilhoso, sim. Tem seus problemas, tem seus dias difíceis, mas se vocês respeitarem o espaço delas... e elas o de vocês... vocês vão se dar muito bem.
Todos assentiram. Aquela conversa não era só sobre relacionamentos, era sobre maturidade, parceria e amor real.
Caio olhou pro chão um instante e depois falou:
— Mano… nunca tinha parado pra pensar assim, não. Eu sempre pensei que morar junto era só curtir, t*****r, dividir as contas e pronto.
Leandro concordou:
— Eu também. Tipo, achava que era só questão de dividir espaço. Mas é muito mais do que isso, né? É dividir rotina, responsabilidade… cuidar um do outro de verdade.
Marcos, que até então só escutava, disse:
— E o respeito, né? Acho que é isso que pesa mais. Porque quando a gente começa a ver a mulher como parceira de verdade e não como quem tem que fazer tudo em casa, a parada muda.
Otávio sorriu com os comentários e concluiu:
— Exatamente. Tem dia que a Kelly tá naqueles dias, sensível, quieta, e eu não fico forçando nada. Deixo ela no cantinho dela, assistindo as séries dela, comendo o chocolate que gosta… E tem dia que é comigo, que eu tô bolado, cansado. E ela faz o mesmo por mim. Parceria, mano. É isso que segura um relacionamento.
Caio brincou, mas com sinceridade no olhar:
— Tá aí, Otávio… tu é brabo. Vou guardar essas ideias aqui. Vai que a Isa se torne uma kelly da vida também, né?
Todos riram, e a roda seguiu, mas agora com um clima mais maduro, mais consciente. Entre piadas e histórias, os conselhos de Otávio ficaram ali, plantados como sementes.
As meninas ainda estavam sentadas no jardim da casa de praia, aproveitando o sol da manhã, Entre risadas e conversas sobre a vida, Renata comentou:
— Meninas, vou falar a verdade: tem dia que eu chego em casa e só queria que tudo se resolvesse sozinho. Nem coragem de abrir a geladeira eu tenho.
Carla riu alto:
— Eu já tô no modo sobrevivência. Se tiver miojo e paz, eu tô feliz.
Luísa completou:
— Gente, e quando a gente tá naqueles dias, com cólica, irritada, e ainda tem que lidar com louça, roupa e jantar? Misericórdia.
Isadora balançou a cabeça:
— É nessas horas que eu penso: morar sozinha é bom, mas morar com alguém que ajuda de verdade seria um sonho...
Foi então que Kelly, até então ouvindo com um sorriso calmo, comentou com carinho:
— Olha, morar junto tem seus desafios, mas quando se tem parceria de verdade, tudo flui. O Otávio, por exemplo, é muito compreensivo. Tem dia que ele mesmo diz: “Hoje você não faz nada, amor. Já cuidei de tudo.”
As meninas se entreolharam, surpresas.
— Sério mesmo? — perguntou Renata, curiosa.
Kelly assentiu.
— Muito sério. Às vezes, ele cozinha, às vezes a gente pede comida, ou ele me chama pra sair e jantar fora. E não é só isso... ele percebe quando eu tô cansada, na TPM, irritada com tudo. Ele respeita meu espaço, me dá silêncio se eu quiser ficar sozinha ou só me abraça se percebe que eu preciso. Não me pressiona pra nada.
Luísa sorriu:
— Kelly, isso aí é amor maduro. E raro.
Carla brincou:
— Tomara que Marcos seja assim!
Todas riram.
Kelly olhou para o horizonte, com um brilho leve no olhar.