Horas que não passa (3)

2080 Words
As meninas estavam sentadas no bar, os corpos relaxados pelas bebidas, os cabelos soltos, as pernas cruzadas com elegância, mas os olhos atentos. O som ainda tocava alto, e o grupo conversava animadamente, rindo de mais uma piada de Isadora, quando, de novo, aqueles mesmos caras se aproximaram com sorrisos nojentos e a confiança inflada pela bebida. — Caraca, vocês não cansam, não? — disparou Renata, revirando os olhos. Um deles sorriu torto, arrogante: — A gente só vai cansar depois que levar vocês pra cama. Kelly gargalhou alto e debochada: — Ha, ha, ha! Ai, tadinho... vocês acham mesmo que tão com essa corda toda? Vocês não dão conta nem do básico, imagina da gente. — Pois é, se enxergam. — completou Luisa, encarando um deles com desprezo. O outro insistiu: — Hum... tá bom. Cês vão ficar de perna bamba. — Jura? — disse Isadora, rindo — Sei não, hein… quem vai ficar de perna bamba são vocês! — É mesmo? Tô doido pra ver. — murmurou o mais atrevido, chegando mais perto. Foi nesse momento que os meninos chegaram. Os carros pararam em frente ao bar com força, portas se abrindo rápido, e Otávio foi o primeiro a entrar. Ele ouviu a última frase, olhou direto pro cara e disse, com os olhos em chamas: — É, vou deixar você de perna bamba. E partiu pra cima dele. Os outros namorados não ficaram atrás. Leandro, João e Caio partiram junto, sem medir consequências. Empurrões, gritos, ameaças — o caos se formou. As meninas ficaram de pé, rindo e gritando: — Ai meu Deus, que loucura! Eles vieram mesmo! Carla, amiga mais sóbria, correu pra ajudar: — Vamos, vamos, pro carro! Antes que isso vire caso de polícia. Ela puxou uma por uma, ajudando a colocar as meninas nos carros. Marcos interveio, segurando os amigos com força: — CHEGA! Já deu! Chega! Os caras, agora acuados, assustados com a fúria dos namorados, correram, entraram no carro e fugiram sem olhar pra trás. As meninas, rindo e trôpegas, entraram nos carros. Cada uma do lado do seu parceiro. Os meninos estavam dirigindo travados, com o maxilar cerrado, uma mão no volante, a outra firme na coxa delas, tentando controlar o ciúmes e o instinto de proteção. — Sinceramente, você… eu não tenho nem palavras. — resmungou Otávio, encarando a rua com fúria. — Ai, amor… você ficou tão mais sexy assim, tão gostoso. — murmurou Kelly, deitando a cabeça no banco. — Quando chegar em casa, eu quero, tá? — Você tá bêbada. Isso sim. — respondeu ele, sem tirar a mão da perna dela. — Não tô bêbada nada. E mesmo se tivesse… bêbada fala a verdade. E a verdade é que… você me deixou com t***o, ué. No carro ao lado, Luisa provocava Leandro: — Você todo ciumento, bravo, me deixou molhadinha, sabia? Quando chegar em casa, me segura. — Você tá impossível, garota… — ele disse, tentando disfarçar o sorriso enquanto pisava mais fundo no acelerador. Cada uma, no seu carro, provocava o namorado, misturando desejo, adrenalina e o calor da madrugada — e eles, mesmo tensos, sabiam que aquela noite ainda ia pegar fogo. Assim que chegaram em casa, cada casal se separou em silêncio cúmplice, mas o ar estava carregado de tensão, desejo e ciúme reprimido. Eles não falavam muito, apenas caminhavam até os quartos, com os olhos ardendo e os corpos implorando por mais do que palavras. As meninas riam baixinho, sabiam o que estava por vir. Quando entraram nos quartos, os namorados fecharam as portas com força, viraram-se e encararam suas parceiras com aquele olhar que queimava. — Você ficou maluca? — disparou Otávio, com a voz grossa, os punhos cerrados. Mas Kelly se aproximou com um sorriso malicioso, colou o corpo no dele, colocou a mão sobre a boca dele e sussurrou: — Não surta com palavra, amor... surta com pegada. Bem gostoso. Me mostra o quanto você ficou louco. Ele mordeu o lábio inferior e deu um sorrisinho safado, os olhos escurecendo. A pegada dele já veio firme na cintura dela, puxando com força, com o instinto possessivo explodindo. Nos outros quartos, as meninas fizeram o mesmo. Luisa, encarando Leandro, que também bufava de ciúmes, colocou o dedo nos lábios dele: — Shhh... guarda sua raiva pra minha cama. Me mostra o quanto é meu. Ele não esperou. Atacou a boca dela com a língua, com fome, jogando-a na cama com brutalidade deliciosa. Isadora e Caio Renata e João Carla e Marcos... todos no mesmo ritmo. Não foi amorzinho, foi um surto de posse, de desejo acumulado, de corpos clamando por domínio e entrega. A noite foi de capricho. Toques precisos. Beijos molhados e demorados. Línguas explorando cada curva. Gemidos abafados pelo travesseiro, mãos segurando forte os quadris, os cabelos, as coxas. — Ai... que capricho... — murmurou Kelly entre um suspiro e outro, enquanto Otávio a virava de bruços, sem perder o ritmo, com o corpo colado ao dela. — Você é minha. Só minha. — ele sussurrava no ouvido dela, entre estocadas firmes e intensas, os olhos cravados nas reações dela. Troca de posições como em uma dança feroz. Na parede. De lado. Por cima. Por baixo. Na cadeira. No chão. Na cama. A sede deles era de domínio. E elas se entregaram com prazer. As mãos grandes seguravam com firmeza. Os gemidos se misturavam aos suspiros. Eles estavam mais possuídos, mais brutos, mas ainda assim, tinham aquele cuidado delicioso de quem conhece o corpo da parceira e sabe exatamente onde tocar. No final, os corpos suados, entrelaçados, satisfeitos, mas com os corações acelerados. — É isso que dá mexer com o que é meu — murmurou otavio colado a kelly ,beijando o ombro dela. E ela sorriu, virando o rosto: — Mexe comigo assim mais vezes… eu adoro quando você surta assim gostoso... Luísa e Leandro O primeiro raio de sol atravessava as cortinas quando Leandro passou o braço pela cintura de Luísa e puxou o corpo dela pra junto do seu. Ela soltou um gemido preguiçoso, ainda mole da noite anterior. — Ai... que delícia... esse homem ainda não passou, não. — Não passou, não, e nem vai passar tão cedo. Aguenta. — ele respondeu com a voz rouca e quente no ouvido dela. Sem mais palavras, ele começou a pegar com força, a mão apertando sua coxa, o quadril roçando com fome. Ela se deixou levar, gemendo baixinho, e no fim, ofegante, soltou: — Ai, meu amor poxa... tu castigou, hein... — Castiguei? Isso foi só uma palinha. — ele sorriu safado. Depois, jogados nos lençóis revirados, ele a olhou sério, mas ainda com aquele sorriso provocante. — Na moral, Lu... você me deixou maluco ontem , cara. Como que você faz isso comigo? Ela riu, passando os dedos pelo peito dele. — Amor... só porque eu bebi um pouco? Eu sabia exatamente o que eu tava fazendo. Eu sou sua, Leandro. E você acabou de me lembrar disso... Me deixou com as pernas bambas. Como vou levantar agora? — Não levanta. Fica aqui. E da próxima vez que sair com as meninas e for até quatro da manhã… vamos ver se vai sair sozinha. — Tá bom, ciumento. A gente promete. Isadora e Caio Isadora se mexeu na cama, os lençóis escorregando pelas curvas nuas. Quando abriu os olhos, Caio já estava em cima dela, beijando sua barriga, os olhos escuros de desejo. — Hm… esse homem ainda não sossegou. — Não sosseguei, nem vou. Você provocou demais ontem. Agora é minha vez. Aguenta. Ela arfou entre risos e prazer quando ele a virou de lado e segurou firme. Cada toque era um aviso, cada beijo uma marca. E quando ele terminou, ela m*l conseguia falar. — Caraca... tu me deixou fraca. Isso foi um castigo. — Castigo merecido. Isso é pouco ainda. Aqueles caras te olhando... Eu imaginei você se soltando pra outro e quase enlouqueci. Deitados, ainda ofegantes, ela virou o rosto pra ele com um sorriso malandro. — Na moral, Caio… tu tá insano. E eu gosto. Mas ó, sou tua. De verdade. Me deixou aqui toda mole, sem andar. — Então não anda. Fica. E da próxima vez, a gente sai junto, fechado? — Fechado. Só não me segura demais, viu? — ela piscou. — Deixa comigo. Renata e João Renata abriu os olhos devagar, e deu de cara com o olhar intenso de João. Ele estava sentado na beirada da cama, só de cueca, e com aquele ar possessivo que ela conhecia bem. — Você já acordou com essa cara de dono? — ela riu. — Não dormi direito. Fiquei lembrando de cada detalhe de ontem. E decidi que não acabei. — Ah não, João... eu tô mole ainda! — ela protestou, mas ele já subia pelas pernas dela com os beijos. — Mole? Agora que fica de verdade. Aguenta. Ela se entregou outra vez, mais fraca ainda, o corpo todo rendido, e no fim soltou: — Ai, poxa... você me castigou! — Castiguei, e ainda tô leve. Isso ainda é pouco. Deitados, ele olhou pra ela com a expressão marcada. — Na moral, Renatinha... tu é braba. Que mulher. Como consegue me deixar tão fora de mim? — João, eu sou tua, cara. De verdade. Pode ficar tranquilo. E depois dessa... como é que eu levanto agora? — Não levanta. Fica aqui. O dia todo. Mas da próxima vez... nada de ficar quatro horas da manhã rodando por aí sem mim, fechado? — Fechado. Prometo. Carla e Marcos Carla abriu os olhos com um suspiro longo e um sorriso no rosto. Marcos ainda dormia, mas o braço dele a segurava com firmeza, como se não quisesse que ela escapasse nem no sono. Ela acariciou o rosto dele, que despertou com um sorriso preguiçoso. — Bom dia. — ela sussurrou. — Bom dia... — ele respondeu, olhando-a com carinho. — Que noite foi aquela, hein? — Eu é que pergunto. Você foi... diferente. Um Marcos mais selvagem, mais intenso. Ele riu baixinho, beijando o ombro dela. — Acho que foi o ciúme possessivo dos outros que pegou um pouquinho em mim. Fiquei imaginando você fazendo a mesma coisa... e surtei. — Ah é? Então pode deixar… Na próxima vez que elas aprontarem, eu vou com elas viu? — Hum-hum... Nada disso. Já te provei ontem que você é só minha, com selo de P.I.O.I. — P.I.O.I.? — ela riu. — Propriedade Intensa de um Homem Insano. Os dois gargalharam alto, aconchegados, sem pressa alguma de sair da cama. Kelly e Otávio A luz do amanhecer entrava tímida pelas frestas da janela, mas dentro do quarto ainda reinava a escuridão de corpos colados, suores misturados e lençóis bagunçados. Kelly se espreguiçava com dificuldade, o corpo inteiro dolorido, quando Otávio, de olhos entreabertos, deslizou os dedos pela pele nua dela. — Ai, meu Deus… Você não tá cansado, não, ciumento? — ela murmurou entre gemidos e risos, sentindo os beijos molhados descendo por sua barriga. Otávio apenas sorriu... um sorriso sádico, provocante, e respondeu em voz baixa, rouca, perigosa: — Nenhum pouco... — e continuou beijando o corpo dela com mais intensidade, até que se posicionou e a penetrou com força, desejo e pura paixão. Kelly gritou baixinho, os dedos se enterrando nos ombros dele. — Ai... não, amor... Eu tô dolorida... — Não quero saber. — ele respondeu no mesmo tom sádico, sem parar, acelerando os movimentos com posse e prazer estampados no rosto. Foi intenso. Quente. Selvagem. Quando enfim o ritmo desacelerou e os dois caíram na cama, ofegantes, ela se virou pra ele, rindo fraco, o corpo mole. — Poxa, amor... caramba... E agora? Como eu vou levantar daqui? Tô toda dolorida. Se eu tentar levantar, eu vou cair. Otávio gargalhou com aquele sorrisinho safado e vitorioso, puxando-a de volta pros seus braços. — Você não vai levantar. Vai ficar aqui. O dia todo... sendo minha. — Ai... tá bom, gostoso... pode deixar. — ela respondeu com um sorriso manhoso, mordendo os lábios e se enroscando nele. — E ó... Se sair de novo com as meninas e ficar até quatro da manhã na rua... Vai ser pior. — ele avisou, deslizando os dedos pela cintura dela de novo. Ela riu, cúmplice e entregue: — Tá bom, tá bom… prometo que a gente volta mais cedo. Talvez. Os dois riram juntos, perdidos no calor que ainda restava da noite — ou talvez prontos para começar tudo outra vez.
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