Ao final da apresentação, todos deixaram a sala aos poucos. Kelly, acompanhada de suas amigas Carla, Luísa, Isadora e Renata, seguiu para o jardim da faculdade, rindo baixinho e aliviada com o fim do trabalho. Rafael caminhou para o pátio com Henrique e Marcelo, seus amigos mais próximos. Já Otávio seguiu cabisbaixo para a lanchonete, acompanhado de João, Caio, Marcos e Leandro.
Sentado à mesa com os amigos, Otávio foi o primeiro a quebrar o silêncio:
— Cara… ela tava tão sorridente. Tava linda demais… — ele passou a mão pelo rosto, frustrado — …me dominou com o olhar de novo. Ver ela de mãos dadas com ele, deitar a cabeça no ombro do Rafael ali na sala… me arrebentou por dentro.
Os meninos se entreolharam, sem saber o que dizer de imediato. Otávio continuou, a voz embargada:
— Eu acompanhei todos os stories deles, não perdi um da viagem… ouvi as risadas gostosas que ela não dava comigo fazia tempo… — sua voz se quebrou — Eu percebo que fiz m*l a ela. Só queria uma chance, só queria ela de volta. Tenho saudades, mano. Muita. Isso dói. Dói muito…
As lágrimas escorreram, e ele baixou o rosto.
Marcos foi o primeiro a estender a mão, apertando o ombro de Otávio:
— Mano… a gente viu ela lá. Ela tava diferente. Livre. Sorridente. Parecia outra pessoa. E isso… isso partiu o coração da gente por você. De verdade.
Caio completou:
— Mas ver você assim também dói, cara. A gente te ama, véi. Você é nosso irmão.
Leandro assentiu:
— A gente tá contigo, Otávio. Não importa o que aconteça.
João falou com firmeza:
— Olha, cara… você é meu brother. E vai continuar sendo. Só que ela também é nossa amiga, nossa irmã de coração. A gente ama vocês dois.
Otávio enxugou os olhos e forçou um sorriso:
— Vocês podem ficar tranquilos. Eu nunca faria vocês escolherem entre mim e ela. Sei que o carinho que vocês têm por mim é o mesmo que têm por ela. E respeito isso.
Então os meninos foram completando, um por um:
— Você é meu irmão de outra mãe — disse Caio.
— O carinho que temos por você é imenso — afirmou Leandro — Mas o carinho que temos por ela também é verdadeiro. E isso nunca vai mudar.
— Vamos estar com os dois. Em momentos com você… e com ela também — concluiu João.
Eles permaneceram conversando, apoiando Otávio e tentando trazer um pouco de leveza àquele momento tão difícil.
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Enquanto isso, no jardim, Kelly estava sentada no banco com as amigas ao redor.
— Amiga… como você tá? — perguntou Carla com doçura. — Como foi pra você ver o Otávio ali apresentando?
Kelly respirou fundo antes de responder:
— Foi difícil… Ver ele doeu. Mas eu sei que doeu nele também me ver sorrindo, de mãos dadas com o Rafael. Eu nunca imaginei que poderia amar duas pessoas ao mesmo tempo… A diferença é que um amor me fez m*l, e o outro me libertou.
As amigas a ouviam em silêncio, com os olhos marejados de empatia.
— O Rafael… ele é maravilhoso. Ele me ama com carinho, com desejo, com cuidado. Me deixa ser quem eu sou, me deixa brilhar. Não me pressiona, só cuida de mim. Eu sei que vai ser difícil o dia em que eu vir o Otávio com outra pessoa… Assim como tá sendo horrível pra ele me ver com o Rafael. Mas eu quero ver ele feliz. De verdade.
Luísa segurou sua mão com carinho.
Kelly continuou:
— Fiquei feliz de ver ele focado nos estudos, se apresentando bem. Ele tá magro, tá abatido, dá pra ver… mas pelo menos ele não se entregou. Ele provocou tudo isso, eu sei. Mas… ele ainda é importante pra mim.
Renata falou com delicadeza:
— Acho que ele ficou triste de saber que a gente tava com você na viagem. Mas a gente vai conversar com ele. Nossos namorados já estão falando com ele também.
— E a gente não vai deixar de ser amiga dele — completou Isadora. — Mas você também é nossa amiga, Kelly. E isso não muda.
— Continuem ajudando ele, por favor — pediu Kelly com os olhos úmidos. — Chamem ele pra sair, distrair. Vão na casa dele assistir um filme. Eu quero ver ele bem. Eu não quero o m*l dele, mesmo depois de tudo.
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No pátio, Henrique se encostou no pilar ao lado de Rafael e soltou, animado:
— Mano… você tá radiante. Quem te viu, quem te vê! É inacreditável. Três anos dizendo que ela seria sua. E agora ela é.
Marcelo riu:
— Eu vi os stories de vocês. Ela sorrindo, você todo bobão. Tão lindo de ver.
Rafael sorriu, com os olhos brilhando:
— Irmão… eu sou completamente louco por essa mulher. Ela é linda, maravilhosa… ela faz meus dias mais leves. Me dá força, me dá paz. Me dá sossego. Essa mulher é tudo. Ela é incrível.
— E as noites? — provocou Marcelo, rindo.
Rafael gargalhou:
— As noites são melhores ainda! Vocês não têm ideia do que essa deusa é capaz… Ela é maravilhosa. Maravilhosaaaa!
Henrique e Marcelo caíram na risada, cúmplices e animados.
— Dá pra imaginar, irmão — disse Henrique. — Só de olhar pra ela a gente já imagina. A gente tá feliz por você. De verdade. É bom ver você assim.
— Vamos marcar um rolê qualquer dia — sugeriu Marcelo.
— Vamos sim! — respondeu Rafael. — Vou falar com ela e a gente marca. Um dia todo mundo junto, pra se divertir.