O sol m*l tinha nascido quando os primeiros alarmes tocaram. Cada casal acordou com o mesmo sentimento no peito: felicidade e entusiasmo por estarem vivendo uma nova fase. Na casa de Otávio e Kelly, ele acordou primeiro, beijou delicadamente o ombro dela e sussurrou:
— “Bom dia, minha vida.”
Kelly sorriu ainda de olhos fechados, se virando de frente pra ele, e o abraçou forte.
— “Bom dia, meu amor... parece que eu tô vivendo um sonho.”
— “E é só o começo, viu?” — ele completou, carinhoso.
Já na casa de Leandro e Luísa, foi Luísa quem despertou primeiro. Beijou o rosto de Leandro e acariciou seus cabelos.
— “Acorda, dorminhoco... hoje é dia de arrasar.”
— “Com você do meu lado, qualquer dia é melhor.” — respondeu ele, puxando ela pra um beijo gostoso de bom dia.
Na casa de João e Renata, a mesma cena se repetia.
— “Acorda, João!” — Renata riu, enquanto ele a puxava pra debaixo do edredom.
— “Só mais cinco minutos com você aqui...”
— “Mas se atrasar, a professora Elisângela vai devorar a gente vivo.”
— “Então é melhor levantar mesmo.” — ele disse, se espreguiçando.
Caio e Isadora acordaram juntos, com os corpos ainda entrelaçados do sono.
— “Bom dia, meu amor.” — ela sussurrou.
— “Bom dia, minha linda... preparado pra ser brilhante hoje?”
— “Com você me apoiando? Sempre.”
Já na casa de Marcos e Carla, o novo casal acordava com a sensação doce da novidade.
— “Primeiro dia morando com você e já temos apresentação.” — disse Carla, sorrindo.
— “Começando com o pé direito, ué. Vambora arrasar.” — respondeu Marcos, com um beijo estalado na testa dela.
Todos tomaram banho, se arrumaram com calma, escolhendo roupas leves, arrumadas, e se preparando para o reencontro com a turma. Quando chegaram na faculdade, o reencontro foi animado.
Kelly avistou Renata primeiro e correu pra abraçá-la.
— “Ai meu Deus, a gente ficou um mês colada, mas parece que eu tô te vendo depois de anos!”
Renata gargalhou:
— “Sim! Que loucura, né? Mas que saudade!”
João e Otávio cumprimentaram Leandro com aquele abraço forte de irmão.
— “Caramba, parece que passou mais de um mês!”
— “E olha que a gente passou a maior parte juntos.” — riu Leandro.
Isadora e Luísa chegaram juntas, e logo se juntaram a Carla, que recebeu abraços e boas-vindas calorosos, agora oficialmente parte do grupo.
— “Ai, que saudade que eu tava de vocês!” — disse Isadora, abraçando Luísa e Carla.
Eles conversaram, riram, brincaram, se divertiram com piadas internas enquanto caminhavam juntos até a sala de aula. Assim que entraram, o clima mudou.
Rafael estava, como sempre, já sentado estrategicamente para observar Kelly. Assim que ela entrou, ele lançou aquele olhar direto e disse com um meio sorriso:
— “Bom dia, Kelly.”
Otávio respirou fundo, forçando a paciência, e respondeu firme:
— “Bom dia, Rafael.”
O sorriso de Rafael se alongou, falso.
— “Ah é, Otávio... quase que eu não te observei. Bom dia.”
De imediato, todos os meninos fecharam a cara. Leandro cruzou os braços e encarou Rafael com um olhar duro. João balançou a cabeça, claramente irritado. Caio deu uma risada seca. E Marcos, mesmo novo no grupo, já sentiu o ranço. Cruzou os braços, encarou Rafael com um olhar sério e murmurou baixo:
— “p**a vida... esse cara é ridículo.”
Eles se sentaram todos juntos, como sempre, se alinhando nas cadeiras como uma verdadeira equipe, enquanto aguardavam a entrada da professora.
Logo, a porta se abriu e a professora Elisângela entrou com sua postura firme e voz clara:
— “Bom dia, turma.”
— “Bom dia, professora.” — responderam todos, em coro.
Ela caminhou até sua mesa, colocou seus materiais e disse:
— “Bom, tivemos um mês de férias, e como combinado, hoje seria o dia das apresentações dos grupos. Ontem eu mandei mensagem para todos, confirmando a ordem de apresentação.”
— “Sim, professora.” — vários alunos responderam ao mesmo tempo.
Ela então pegou uma folha e leu:
— “Primeiro grupo: Kelly, Otávio, João, Renata, Isadora, Caio, Luísa, Leandro, Carla e Marcos.”
Todos se levantaram quase ao mesmo tempo.
— “Sim, professora. Perfeito. Estamos prontos.” — disse Kelly, segurando os papéis e ligando o notebook para projetar os slides.
Eles caminharam até a frente da sala juntos, lado a lado, confiantes e unidos. A apresentação de Direito Processual estava prestes a começar.
O grupo se posicionou à frente da sala, e Kelly deu o sinal para iniciar a apresentação. O telão exibiu os slides, e João foi o primeiro a começar.
— “Bom dia a todos. Nosso grupo ficou responsável por apresentar os princípios do Direito Processual Civil, com foco no devido processo legal...”
Ele conduziu com clareza, passando a palavra para Renata, que explicou o princípio do contraditório e da ampla defesa.
— “É essencial garantir que ambas as partes possam se manifestar. Sem isso, o processo é nulo...”
Em seguida, Caio abordou a jurisdição e competência, com falas diretas e seguras. Luísa e Leandro falaram sobre os tipos de processo e fases processuais, usando exemplos práticos que prenderam a atenção da turma. Isadora, com seu tom calmo, explicou o conceito de lide e ação.
Carla e Marcos ficaram com a parte dos princípios fundamentais da Constituição aplicados ao processo. Marcos, mesmo sendo novo no grupo, falou com firmeza, mostrando que tinha se preparado bem. Carla finalizou essa parte com exemplos jurisprudenciais.
Quando chegou a vez de Kelly, o silêncio tomou conta da sala. Sua parte envolvia os princípios mais complexos: segurança jurídica, celeridade processual e a relativização da coisa julgada. Ela ajeitou o cabelo, olhou para a turma com segurança e começou:
— “Bom dia. Os princípios que eu trouxe são centrais para o equilíbrio entre o tempo e a justiça. Um processo célere é desejável, mas nunca pode sacrificar a segurança jurídica. A relativização da coisa julgada, por exemplo, permite que erros graves sejam corrigidos, mesmo após uma decisão transitada em julgado...”
Enquanto ela falava, com a postura ereta, voz firme e olhar que ia de um lado ao outro da sala, Rafael não tirava os olhos dela. A devorava com os olhos, completamente absorvido por cada palavra, cada gesto. Tinha um meio sorriso no canto da boca, como se admirasse algo que sabia que não podia ter.
Otávio, ao lado dos colegas, cruzou os braços e forçou a mandíbula. Estava tentando se conter, mas a tensão em seu olhar era evidente. Caio percebeu e tocou de leve seu ombro, tentando acalmá-lo, enquanto João apenas balançava a cabeça com desgosto diante da ousadia de Rafael.
Kelly finalizou sua fala com uma conclusão perfeita, conectando todos os tópicos e destacando a importância do equilíbrio entre celeridade e justiça. A professora Elisângela, sentada com os braços cruzados, observava atentamente.
Ela então se levantou e fez uma pergunta complexa sobre a relativização da coisa julgada em casos de erro material.
Sem hesitar, Kelly respondeu:
— “Professora, nesses casos, a jurisprudência atual entende que a coisa julgada pode ser relativizada sim, principalmente quando há flagrante violação de direitos fundamentais. O STF já firmou entendimento nesse sentido, respeitando os princípios constitucionais da dignidade humana e da efetividade da justiça.”
A professora sorriu, satisfeita.
— “Sem mais. Perfeito, perfeito. Parabéns ao grupo. Muito bem trabalhado, um projeto muito bem desenvolvido. Kelly, meu parabéns especial, como sempre. Você está linda, bronzeada... aliás, todas vocês, meninas, e também vocês, meninos. Dá pra ver que vocês aproveitaram muito bem as férias.” — Ela fez uma pausa e então continuou — “Mas a sua inteligência, Kelly, é de outro mundo. Já sabe que essa semana ainda você precisará apresentar esse tema no auditório, né?”
Kelly respondeu com um sorriso calmo:
— “Sim, professora. Com certeza. Estou preparada.”
A professora acenou com a cabeça, satisfeita.
— “Perfeito. Então agora vamos ao outro grupo.”
Quando o grupo começou a voltar aos seus lugares, Rafael levantou a voz:
— “Professora... eu acho que não ouvi muito bem a Kelly. Gostaria de ouvir ela de novo.”
O clima pesou na sala. Otávio, com o sangue fervendo, se virou para ele e disse, em tom sério:
— “Você gosta de me torrar a paciência, né, Rafael?”
A professora não pensou duas vezes.
— “Chega disso. Rafael, por favor, onde fica a educação? Você ouviu muito bem. Para com a afronta. Sentem todos, por favor. Próximo grupo. Vem você, Rafael. Você e seu grupo, por favor, já que está falando muito e tem tempo pra afrontar. Vamos ver se você tem inteligência pro próximo grupo.”
A turma inteira soltou um uníssono:
— “Opa, opa...”
Rafael levantou, ajeitando a camisa com aquele ar convencido de sempre, tentando disfarçar o constrangimento, e foi até a frente da sala com o grupo dele, já sob olhares atentos e julgadores.