o início de um sonho

1026 Words
A formatura havia sido inesquecível, mas agora era hora de dar o próximo passo. A vida adulta começava a se desenrolar com uma nova intensidade, exigindo ainda mais foco, comprometimento e coragem. Kelly, como sempre, não parou. Enquanto todos celebravam as conquistas recém-alcançadas, ela já havia se recolhido em uma nova rotina: estudar para o concurso da PRF — seu maior sonho desde a adolescência. Determinada, passava horas mergulhada em apostilas, simulados e videoaulas. A dedicação era tanta que ela m*l saía de casa, mas Rafael compreendia. Ele via nos olhos dela o brilho de quem nasceu para realizar grandes feitos. — Esse sonho é seu, meu amor. Vai com tudo — ele dizia, sempre a apoiando com carinho, trazendo café, organizando seu cronograma e respeitando seus momentos de cansaço. Otávio, por sua vez, também havia mergulhado em seu propósito. O concurso da Polícia Federal era sua meta, e ele não mediria esforços para alcançar. Estava mais introspectivo, concentrado, estudando com seriedade e amadurecendo com os próprios desafios. Já não se aproximava de Kelly como antes — parecia ter encontrado sua própria direção, longe das emoções confusas do passado. Enquanto isso, os demais amigos floresciam no universo jurídico. Renata e João,conseguiram vagas em um respeitado escritório de advocacia empresarial. Renata logo se destacou com seu perfil estratégico e humano, enquanto João impressionava pela firmeza e capacidade de argumentação. Luísa e Leandro também estavam vivendo um momento especial. Os dois foram contratados por uma rede de advogados renomados que atuava com causas ambientais e sociais. Apaixonados pela justiça e pela ética, eles se tornaram uma dupla poderosa dentro da equipe, ganhando respeito e espaço rapidamente. Carla e Marcos entraram em um escritório de advocacia voltado para o direito penal. Embora os desafios fossem intensos, ambos demonstraram uma força impressionante. Marcos se destacava em sustentações orais, enquanto Carla era admirada por sua habilidade em construir defesas sólidas e humanas. Isadora e Caio seguiram para o mundo dos contratos e licitações, atuando em uma empresa que prestava assessoria jurídica para órgãos públicos. Com inteligência e visão crítica, formavam uma dupla profissional impecável — e ainda mantinham a leveza e a cumplicidade de sempre. Henrique e Marcelo, amigos inseparáveis de Rafael, também haviam se estabelecido com sucesso. Marcelo foi chamado para um dos maiores escritórios do país, atuando com direito tributário, enquanto Henrique se envolveu com o direito digital e rapidamente virou referência entre os colegas por seu domínio técnico. E Rafael… Rafael estava vivendo seu próprio auge. Conseguiu uma vaga em um dos escritórios mais prestigiados da cidade logo após a formatura. Brilhava em cada reunião, era elogiado pela postura, pela capacidade analítica e pela ética inabalável. Seus colegas o admiravam, os chefes confiavam nele, e os clientes o respeitavam. Mesmo com a rotina puxada, ele encontrava tempo para estar com Kelly, nem que fosse só para dormir abraçadinhos ou dividir uma refeição rápida. Todos estavam crescendo. Cada um a seu modo, cada um em sua trilha, mas unidos por um elo de amizade que o tempo não apagaria. Era o início de uma nova fase — intensa, desafiadora e promissora. Eles já não eram apenas estudantes de Direito. Agora, eram advogados. Profissionais em ascensão. E no caso de Kelly e Otávio, candidatos determinados a conquistar seus cargos dos sonhos nas forças de segurança. Mas uma coisa era certa: todos estavam indo além do que um dia imaginaram. E aquilo… era só o começo. Kelly não era do tipo que parava. Agora que a formatura havia passado, o foco dela era absoluto: a PRF. Estava determinada a conquistar essa vaga, como se o sonho chamasse por ela desde sempre. Além das longas horas de estudo, Kelly também havia adotado uma rotina intensa de treinos físicos — corridas, força, resistência, tudo o que fosse necessário para estar pronta para a prova física. Nas primeiras semanas, ela correu sozinha, fone de ouvido, tênis confortável, mente concentrada. Mas logo, nas trilhas arborizadas do parque onde costumava treinar bem cedo, por volta das cinco e meia da manhã, ela começou a reencontrar uma figura familiar. Era Otávio. Ele também estava ali. Correndo. Com fones nos ouvidos, rosto sério, corpo em movimento. Estava treinando com a mesma seriedade. Afinal, o concurso da PF também exigia preparo — e Otávio sempre foi determinado. No começo, os olhares foram discretos. Um aceno distante. Um "bom dia" abafado. Mas com o tempo, as corridas passaram a ser lado a lado. Sem cobrança. Sem promessas. Apenas uma parceria silenciosa. Como se aquele percurso representasse muito mais do que exercício físico — representava memórias, promessas antigas, um sonho que os dois ainda compartilhavam, mesmo que agora seguissem caminhos diferentes. Eles passaram a marcar, quase sem combinar, aquele mesmo horário. Era como um ritual: cinco e meia, tênis nos pés, suor na testa, e os dois dividindo o mesmo ritmo. — Você tá bem, Kelly? — ele perguntou um dia, ofegante, no meio do percurso. — Tô sim, Otávio. Muito. — Ela respondeu com um sorriso sincero. — E você? Ele sorriu de volta, com os olhos brilhando de orgulho contido. — Tô também. De verdade. Eles não precisavam dizer mais nada. Havia ali um respeito bonito, maduro, que deixava claro: o amor que um dia os uniu se transformou em algo sereno, silencioso. Ainda existia carinho. Ainda existia afeto. Mas agora era diferente. Otávio respeitava o lugar de Rafael na vida dela. Sabia que Kelly estava feliz. E isso bastava. Era a mulher da vida dele, mas não era mais a mulher dele. E isso doía um pouco… mas também aliviava. Porque vê-la feliz, finalmente completa, também era um presente. Os dois corriam juntos, respiravam fundo, motivavam um ao outro. Dividiam aquele sonho como parceiros de estrada. Cada um com seu rumo. Mas no fundo… ainda conectados por algo maior: a admiração mútua e o desejo de ver o outro vencer. E todas as manhãs, ali naquele parque, era como se o passado e o presente se encontrassem por alguns quilômetros, correndo lado a lado. Sem promessas. Sem cobranças. Apenas com a certeza de que, mesmo separados, estavam torcendo um pelo outro. E isso… já era amor o suficiente.
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