Depois daquele momento tão intenso, delicioso e completo, meu corpo simplesmente cedeu. Minhas pernas bambearam, e ele percebeu na hora. Com um sorriso de canto e os olhos brilhando de amor e satisfação, ele me segurou com cuidado e falou com a voz rouca:
— Vem, meu amor… eu te exagerei, né? Deixa eu cuidar de você.
Me ajudou a levantar devagar, com carinho, e caminhamos juntos até o banheiro. Ele abriu o chuveiro e deixou a água cair morna sobre nossos corpos. Me puxou pra debaixo do jato, e ali, sob a água escorrendo quente sobre nós, ele me abraçou por trás, colando nossos corpos outra vez, mas dessa vez num carinho lento, cheio de conexão.
Ficamos ali alguns minutos, calados, apenas sentindo um ao outro, nossos corações batendo num ritmo tão parecido que parecia um só. Ele apoiava o queixo no meu ombro, enquanto acariciava minha barriga com os dedos, traçando círculos suaves que arrepiavam cada pedacinho meu.
Depois me virou de frente, me beijou com calma, com afeto, com doçura. Enxaguou meu cabelo, passou o sabonete com cuidado no meu corpo, como quem lava algo sagrado.
— Você é a minha mulher, Kelly. Meu porto seguro. E eu quero te ver bem… sempre — ele sussurrou enquanto me secava com a toalha macia e me levava de volta pro quarto.
Me fez deitar de bruços na cama, colocou um óleo relaxante nas mãos e começou a massagear minhas costas com movimentos firmes e envolventes. A sensação era maravilhosa. Ele descia pelas minhas costas, aliviando cada tensão, massageava meus ombros, minha lombar, as coxas, e vez ou outra, se inclinava e beijava minha nuca, meu ombro, minha pele quente.
— Amor, eu queria conversar com você… — ele começou, com a voz calma. — Eu ando sentindo umas dores no ombro, acho que exagerei nos treinos… e também tem umas coisas na cabeça, tipo ansiedade, estresse, às vezes me sinto sobrecarregado. Mas não quero esconder nada de você.
Virei o rosto devagar e o olhei com ternura. — Fala tudo comigo, amor. A gente é parceiro. Tudo que é seu, é meu também. Dor, alegria, tudo.
Ele sorriu, emocionado, me beijou a mão e deitou ao meu lado, me puxando pro peito dele, ainda nus, envoltos apenas em amor.
— Você é minha força, Kelly. E eu prometo sempre ser o seu apoio também. A gente vai superar qualquer coisa juntos.
Ficamos ali, abraçados, enquanto o mundo lá fora silenciava… e tudo que existia era nós dois, nossos corpos aquecidos pelo amor, e um futuro promissor se desenhando no compasso dos nossos corações.
O sol m*l começava a espiar pelas frestas da cortina quando senti o cheiro delicioso de café fresco invadindo o quarto. Me espreguicei lentamente, ainda sentindo o corpo leve, flutuando na lembrança da noite anterior… intensa, apaixonada, inesquecível. O lençol ainda guardava nosso calor, e um sorriso escapou dos meus lábios só de lembrar de tudo.
Ouvi passos leves se aproximando e, ao abrir os olhos, lá estava ele. Sem camisa, com aquele corpo irresistível, cabelos levemente bagunçados, e um sorriso doce no rosto. Ele equilibrava uma bandeja com suco, café, pães, frutas e um toque todo especial: uma rosa vermelha repousando ao lado da xícara.
— Bom dia, minha princesa preguiçosa… — ele disse, se inclinando pra me beijar suavemente na testa, depois na ponta do nariz, até alcançar minha boca com um beijo terno e demorado. — Dormiu bem?
— Dormi como um anjo… depois de ser muito bem cuidada — brinquei, ainda sonolenta, mas feliz. Ele sorriu e colocou a bandeja no criado-mudo.
— Hoje eu queria que o mundo lá fora parasse só pra gente. Só nós dois, sem pressa, sem obrigação… só amor.
Ele se sentou na beira da cama, me puxou devagar pro colo dele, e me envolveu com os braços fortes, me aconchegando no peito quente. Ficamos ali, embalados no silêncio bom da manhã, trocando carinhos e beijos doces entre um gole de suco e um pedaço de pão com manteiga.
— Sabia que você fica ainda mais linda assim, com o cabelo bagunçado e esses olhos sonolentos? — ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar.
— E você, meu amor, parece uma pintura de tão perfeito… e ainda me serve café na cama. Acho que estou sonhando.
Ele riu, passando os dedos na minha coxa descoberta, traçando caminhos suaves até a barra da minha camisola. — Se for um sonho… que a gente nunca acorde.
Nos beijamos mais uma vez. Lento. Profundo. Como se a manhã fosse só nossa. Como se o tempo tivesse parado pra eternizar aquele momento.
Ali, naquela cama desarrumada, entre travesseiros e amor, nossos corações batiam em sintonia. E era impossível não se sentir completa, desejada, e absolutamente amada.
O café da manhã estava perfeito. O cheiro do café misturado com frutas frescas, nossos corpos ainda entrelaçados pelo calor da noite anterior e aquela sensação de paz gostosa. Otávio sorria, passava os dedos na minha coxa, e tudo parecia perfeito… até o celular tocar.
A vibração insistente cortou o clima. Peguei o aparelho do criado-mudo e atendi, ainda com a voz suave do despertar:
— Amiga? — era Amanda, ofegante, quase chorando. — Oi gata, fala comigo. Que desespero é esse?
Respirei fundo. Do outro lado, a voz dela disparava:
— Amiga, eu não sei o que fazer… o trabalho é hoje! Eu e o Gabriel vamos reprovar. Eu esqueci completamente! Eu não consigo pensar em nada, me ajuda, por favor…
Otávio, que ouvia tudo, já revirava os olhos. Encostou-se na cabeceira, cruzando os braços, o semblante de quem estava por um fio. Eu, tentando manter a calma, disse:
— Amanda, como assim? Foram vinte dias pra esse trabalho. Logo você, que sempre dá esse mole... Você e o Gabriel têm energia de sobra pra tudo, menos pra estudar? Cinco minutos por dia, Amanda! Só isso!
— Eu sei, eu sei! — ela choramingava. — Mas você me ajuda, né? Você sempre me salva… por favor, Kelly!
Otávio bufou alto. — De novo essa história? — murmurou, com raiva visível.
— Tá bom, Amanda. Eu vou falar com a professora. Pedir pra juntar o seu com o nosso e apresentar tudo junto. Mas você sabe pelo menos o tema?
— Hã… biodiversidade?
Eu sorri, irônica. — Claro, meu bem. Isso eu tiro de letra. Mas olha só, você precisa priorizar os estudos. As provas finais estão aí. Faculdade, concurso, tudo exige foco. Não quero ver você e o Gabriel perderem por bobeira. Vocês não têm motivo pra isso.
— Tem razão, amiga… vamos priorizar, eu prometo. Até daqui a pouco.
Desliguei. E antes que pudesse respirar, Otávio soltou:
— Olha, amor, desculpa… mas eu sou totalmente contra você assumir essa responsabilidade sozinha. É sempre a mesma coisa. A Amanda vive explorando sua boa vontade. Ela só te procura quando tá no desespero.
— Eu sei, amor… — suspirei, sentindo o peso da situação. — Eu gosto muito dela, me preocupo, tenho pena… mas você tem razão. Ela tá vacilando demais.
Otávio se levantou da cama, andando de um lado pro outro. Estava visivelmente irritado.
— Amor, olha pra você! Você cuida da sua mãe, estuda feito louca, trabalha, se dedica pra faculdade, ainda treina pra concurso… e mesmo assim dá um jeito de cuidar da gente. E ainda tem que salvar o dia pra ela e o namorado? Pô, chega, né?
— Eu sei, vida… — me aproximei, abraçando ele pelas costas. — Eu juro que vai ser a última vez. Eu não vou mais dar mole. Ela vai conseguir esses 10 pontos agora, mas se não se ligar, vai reprovar na prova. Porque eu não vou passar cola pra ninguém.
Otávio se virou, me encarou com firmeza e carinho. — É isso aí, minha mulher! Você tem um coração lindo, mas precisa aprender a impor limites também. Quem só dá e nunca recebe, uma hora se esgota.
Eu sorri, me sentindo amada e protegida.
— Você tem razão. Mas agora… vamos aproveitar o restinho da manhã, antes que surjam mais “emergências”.
Ele me puxou pela cintura, colando o corpo no meu e sussurrou no meu ouvido com aquele tom safado que só ele sabia usar:
— Isso mesmo, porque essa manhã ainda é toda nossa. E eu não terminei de aproveitar esse corpo delicioso que é só meu…