Coringa Narrando Eu fui pra casa, mano. Fui porque ela pediu. Se não fosse por isso, eu tinha ficado lá batendo boca até amanhecer. Cheguei bufando. A cabeça parecia que tava fervendo. Joguei a chave na mesa, tirei a camisa de qualquer jeito. — Püta que pariu. Fui direto bolar um beck. Sentei na varanda, acendi, puxei fundo. Esperei aquela sensação de aliviar, de dar aquela desacelerada. Nada. Só minha cabeça repetindo a cena. Vicente gritando. Letícia chorando. Aquilo me corroendo por dentro. — Cê é louco. — murmurei pra mim mesmo. Joguei o resto fora antes de terminar. Nem brisa bateu direito. Entrei e fui pro banho. Água fria. Gelada mesmo. Pra tirar o sal do mar e tentar esfriar a mente. Fiquei parado debaixo do chuveiro, água descendo pela cabeça, pelo rosto. Mas pensamento

