Coringa Narrando Quando eu era pivete, meu pai me levou pra uma ilha que ele tinha acabado de comprar. Eu devia ter uns 16 anos. Foi só eu, ele e minha madrasta. Lembro como se fosse ontem o jeito que ele olhou pra mim quando o helicóptero pousou ali pela primeira vez. — Aqui será nosso lugar — ele falou. — Nosso refúgio. E foi mesmo. Por muito tempo aquela ilha foi onde eu era só o filho dele. Não tinha vulgo. Não tinha arma. Não tinha guerra. Eu era só um moleque sonhador, correndo na areia, mergulhando sem medo, acreditando que o mundo era grande demais pra dar errado. A vida veio e me mostrou o contrário. Quando fui preso, a primeira coisa que eu fiz foi chamar o Vicente. — Não abandona minha casa na ilha. Ele ficou me olhando sério. — Nunca. — Manda limpar sempre. Manda cui

