Coringa Narrando Eu passei a tarde inteira na boca. Nem saí de lá. Fiquei sentado numa cadeira de plástico perto da mesa onde os moleques contam o dinheiro do corre, olhando o movimento da rua e tentando colocar a cabeça no lugar. Mas tá difícil. Minha mente voltava sempre pra mesma parada. Letícia. A cena dela jogando a marmita pro porteiro. A cara dela virando e indo embora. Aquilo ficou rodando na minha cabeça igual disco arranhado. Acendi mais um cigarro. Já tinha fumado uns três desde que cheguei aqui. Foi quando o Romano apareceu. Ele vinha subindo a viela devagar, falando com uns moleques, mas quando me viu parado ali com aquela cara de poucos amigos ele já sacou que tinha alguma coisa errada. Sentou do meu lado. — E aí, irmão, que pörra tá pegando? Eu dei uma tragada

