Coringa Narrando Peguei na mão da minha filha. Ela levantou o olhar devagar e me encarou. Não desviou. Não abaixou a cabeça. Eu respirei fundo. — Eu vou ser o melhor possível. Ela ficou quieta. — Tu vai me ensinar a ser o pai que tu gostaria de ter tido. Ela não chorou. Não fez drama. Mas sorriu fraco. E aquele sorrisinho valeu mais que qualquer respeito que eu conquistei na rua. O Patureba, que tava ali meio sem jeito, foi e deu um beijo na cabeça dela. Eu reparei. Ele gosta dela de verdade. Não é interesse, não é pose. É cuidado. E isso pra mim pesa. A gente continuou conversando, clima mais leve. — E teu carro? — perguntei. — Ainda tô pagando. Mas é bom. — Tá precisando trocar? Ela fez uma careta. — Eu dou conta, pai. Sempre assim. Nunca pede nada. — Esse morro é

