— Relaxa. Levantei o facão devagar. A lâmina refletindo a luz. — Hoje tu vai falar tudo. Minha voz saiu baixa. Pesada. — Ou vai morrer tentando. Ela tava caída no chão, suja de sangue, tremendo igual vara verde, Os olhos arregalados. Respiração toda descompassada. Eu fiquei olhando pra ela em silêncio, esperando ela abrir a boca. Demorou alguns segundos. Mas o desespero venceu. Ela começou a falar tudo embolado. — Eu fiquei com raiva de você. A voz dela tremia. — Eu achei que quando você saísse da cadeia, ia me assumir eu… Eu senti meu maxilar travar. Ela continuou falando rápido, como se aquilo pudesse salvar a vida dela. — Eu sempre fiquei do teu lado. Sempre esperei por você. Ela apontou pro chão, desesperada. — E aí você voltou, e foi direto praquela. Os olhos dela

