Porque o morro ainda precisa dele. E, egoísmo ou não. Eu também preciso dele. Fiquei ali sentado, segurando a mão dela, tentando juntar força. Porque amanhã eu vou ter que levantar. E continuar. Eu tava em casa, largado no sofá, cabeça a mil, quando o rádio chiou na mesa. — Romano, o Sombra tá subindo. Na hora eu levantei. O corpo pode até pedir descanso, mas quando o rádio chama, não tem escolha. Vesti uma camisa qualquer, puxei o cabelo pra trás e fui até a Brenda. Ela tava na cozinha, mexendo numa xícara que já devia estar fria fazia tempo. Dei um beijo nela, demorado. — Me espera. Ela segurou meu rosto. — Cuidado. Só balancei a cabeça e saí. Desci pra boca já sentindo o clima diferente. Quando o Sombra sobe, não é coisa pequena. Ele já tava lá, parado no canto de sempre.

