A voz saiu cheia de surpresa e alegria. — Como o Senhor está se sentindo? Eu tentei ajeitar a garganta antes de responder, mas ainda tava seca pra carälho. — Vivo. Minha voz saiu rouca, quase falhando. Ela deu um sorriso aliviado. Passei a língua nos lábios ressecados. — Tô com sede. Ela deu uma risadinha nervosa. — Vou chamar o médico. Antes que ela saísse eu falei: — Manda ele trazer um copo d'água também. Ela assentiu com a cabeça e saiu apressada. Fiquei olhando pro teto de novo. Cada segundo parecia uma eternidade com aquela garganta parecendo lixa. Alguns minutos depois a porta abriu de novo. O médico entrou primeiro e a enfermeira veio atrás. Na mão dele tinha um copo descartável com água. Olhei pro copo e soltei um resmungo. — Tá economizando água, doutor? Racion

