Laura Narrando Eu achei que era o momento perfeito. O instante certo, aquele que a gente sente no osso quando a maldade encaixa com a oportunidade. O Vicente desceu do carro e entrou no Bar da Jura, aquele mesmo de sempre, mesa de plástico, chão sujo, cerveja quente e fofoca fresca. As meninas me cutucaram na hora, rindo de canto de boca, apontando com o queixo. — É agora — uma delas cochichou. Sorri. Elas sabiam. Todo mundo sabia. Eu não vim para esse mundo, à toa. Eu tava esperando. O Vicente sentou sozinho, postura dura, cara fechada. Pediu um litrão e ficou olhando pro nada, como quem tá remoendo coisa pesada. Peguei minha latinha, respirei fundo e fui até ele. Sem medo. Nunca tive. — Posso sentar? — perguntei, já puxando a cadeira. Ele só levantou os olhos, não disse nada. Isso

