Letícia Narrando Eu tinha acabado de chegar na ONG quando veio a primeira bomba do dia. — Letícia, estamos sem água. Fechei os olhos por dois segundos. — Como assim sem água? — Deu infiltração na tubulação dos fundos. A caixa não tá enchendo. Ótimo. Semana avaliativa, relatório atrasado, fornecedor pra pagar, e agora encanamento estourado. Minha mãe já tava no telefone chamando encanador. — Vão ter que quebrar a parede da área de serviço — ele disse quando chegou. E começou o quebra-quebra. Marreta batendo, pó subindo, criança perguntando o que tava acontecendo. Minha cabeça já latejava antes das nove da manhã. Eu ainda tentava organizar o que dava no computador quando, de repente. Tudo apagou. — Não — eu sussurrei. Sem luz. Sem sistema. Sem nada. — Deve ter sido o padrã

