Coringa Narrando Quando eu cheguei perto dele e vi direito a cena, meu estômago virou. Cazuza tava jogado no chão do beco, se arrastando igual um verme. A perna dele tava destruída, sangue espalhado no cimento, o cara tentando segurar o que sobrou enquanto gemia de dor. A mão dele tremia. Ele tentava puxar o corpo com os braços, desesperado, deixando um rastro vermelho atrás. Parei na frente dele. Respiração pesada. Rifle na mão. Ele levantou o rosto devagar, e quando me viu, os olhos arregalaram de um jeito que eu nunca tinha visto. Puro pânico. Olhei bem na cara dele. Senti uma mistura de ódio e nojo subir pelo peito. Cuspi no chão bem do lado da cara dele. — Tá indo aonde, Cazuza? Ele não respondeu. Só chorava. Chorava igual criança perdida. — P-p-pelo amor de Deus… Bal

