Stela Young:
Mais um dia de aula tem se arrastando.
O diferente de hoje,é que vamos visitar a Crawford Independent Companies.É um sonho aqueles prédios,mete de qualquer formado ou estudante de engenharia mecânica.
Uma meta de vida trabalhar naquela montadora.É simplesmente uma das melhores no ramo,muito bem conceituada,os melhores dos melhores trabalham lá.
Terei que enfrentar um monte de coisa,até me formar na área e poder trabalhar.O preconceito está grande,o pessoal da minha família vive dizendo pra eu escolher algo que seja mais na área feminina,que nunca irei conseguir ganhar uma vaga,pois o chefe nunca vai preferir uma mulher ao invés de um homem.Sinceramente?Estou já de saco cheio dessa família!Algumas vezes tenho uma vontade enorme de mandar todos a merda e me deixarem em paz.
Uma pena que não se pode escolher a qual família pertencer.
Todos um bando de cobras que só agem na falsidade.Até parace que eu não sei que vivem falando da minha vida quando eu não tô por perto.Odeio jantares de família onde tenho que atuar uma menina feliz e radiante pela família unida que tem.
—Todo mundo organizado,nada de fazer feio lá.Custou muito conseguir um horário na agenda dele,então se comportem.—Eugênia fala pela não sei quantas vezes.
Conheço muito bem o senhor Crawford,já li a biografia dele várias vezes,assisto as suas entrevistas e palestras.Admiro ele de mais.Chegou em um nível excelente em tão pouco tempo.Mas nada comparado a ficar frente à frente com ele.
Entramos todos no ônibus.
Brianna masca um chiclete de maneira insuportável,por dentro estou a ponto de jogá-la pela janela.Mas não teria coragem de fazer algo do tipo com alguém.Não gosto de violência e nem de desmerecer ninguém.Mesmo sabendo que é o que a maioria faz comigo,mas enfim...Eu não ligo!
—Alguém joga essa garota da janela,fazendo um favor a humanidade?—Wil comenta,sentado ao meu lado.
—Wil!Como você é mal.—lhe cutuco com o cotovelo.
—Aposto meus últimos 15 dólares que você pensou o mesmo que eu,só não teve coragem de dizer Stelinha.—Fico quieta,pois eu havia pensado mesmo.—Está vendo?Quem cala consente.
—Ah cala a boca!
—Conheço você sua tampinha!—Bate na minha cabeça.—São anos te suportando.
—Idem.
—O quê?—Leva a mão ao peito como se estivesse chocado.—Você ainda tem sorte de me ter em sua vida meu amor.Eu sou incrível.
—Harram.
Wil é o meu melhor amigo,acho que já perceberam.Ele foi o único que quis fazer amizade comigo.Nos primeiros dias foi estranho,mas depois eu me acostumei com sua presença.Fazemos praticamente tudo juntos.Desde trabalhos,passeio e também falar da vida alheia.Se ele pudesse não saía da minha casa,e eu estou longe de reclamar.Ele é uma ótima companhia,às vezes.
Da janela eu olho o grande edifício a minha frente.São quase duas horas da tarde.Os dois prédios são gigantes,todo em cinza e preto,com uma fachada incrível.O logo da empresa está estampado em uma placa de mármore,que fica bem visível pra que todos que passem,possam ver.Fica localizado no centro da cidade,em um local estratégico.
Vamos todos em fila atravessando a rua.
Um porteiro abre a porta pra nós.
Que chique!
As pessoas transitam bem arrumadas. As mulheres por trás do balcão estão elegantes,cabelos e roupas de maneira uniforme.Deve ser uma regra pra elas.Conversam e mechem no computador a todo momento.Vamos direto pro elevador,que subiu somente com nossa turma.Bem veloz e moderno por dentro.O metal é quase um espelho,dá pra ver seu reflexo perfeitamnete,imagino o tanto de gente que não entra aqui pra tirar fotos e se exibir nas redes sociais.
—Bom dia em que posso ajudá-los?
Uma mulher muito simpática até,pergunta sorrindo.
—Temos horário marcado com o senhor Crawford.
—Ah sim,ele já está a espera de vocês.
Indica a porta e nós vamos.Fico paralisada ao ver tamanha beleza em um se só.Ele já era bonito pela tv,mas nada comparado a pessoalmente.Não fico encarando de mais pra ele,nunca fui disso.Mas não consigo controlar em não olhar pra ele.
Brianna faz uma pergunta pessoal e ele responde de maneira séria,dando uma patada nela.Por dentro estou gargalhando.E não podia deixar de faltar uma piada comigo,já até me acostumei.E pra minha surpresa ele repreendeu Fred e até se ofereceu pra me dá umas aulas e dicas,já que era formado na área.Ainda deu uma piscadela no final.
É impressão minha ou ele está flertando comigo?
Nunca que na vida eu ia conseguir um homem desse,apesar de não está desesperada atrás de um.
Conhecemos algumas coisas da empresa e ele falou um pouco também de como tudo começou.Noto que seus olhos estão em mim a quase todo momento e isso me deixa constrangida.Algumas vezes nossos olhares se cruzam,por poucos segundos,já que eu sempre desvio.
Eugênia agradece por ele ter cedido tempo pra nos atender.Ele diz que foi um prazer ajudar a gente a ter ainda mais pra finalizarmos as nossas redações.
—Ainda vou trabalhar aqui!—faço uma promessa baixinha enquanto olho pela última vez tudo que meus olhos podem capturar.
Seria um sonho conseguir nem que fosse um estágio aqui ou até uma entrevista.
[•••]
Dois dias e eu não consigo tirar ele da cabeça,penso nele me olhando a cada segundo.Fico viajando no mundo da lua,deve ser pela admiração que eu tenho pela história e trabalho dele.
É!
É por isso!
—Está no mundo da lua Stelinha?
—Não Wil.Só pensando em algumas coisas mesmo.—Dou de ombros indiferente.
—Hurum..sei.
—Vai ter balada hoje você sabe não é?—cruza os braços,já sabendo que havia esquecido.Minha memória anda uma merda só.Não lembro nem o que eu comi no jantar de ontem.
*Mas um certo homem gostoso você não esquece né sua safada?!* Subconsciente do c*****o!E o pior é que ele tem toda razão.
—Putz!Eu tinha me esquecido!—bato a mão na testa com força.
—Já imaginava.—rimos.—Por isso te lembrei.E a gente vai não vai?
—Não tô afim de ir mesmo.—dou de ombros.Odeio ficar em lugares cheio de jovens bêbados com os hormônios a flor da pele.Arg!—Sabe como eu sou anti social não é?Vou me sentir deslocada Wil,não quero me sentir assim.Por isso eu quero ficar no conforto da minha casa.
—Só hoje?—junta as mãos implorando.—Se não gostar do ambiente,a gente volta na mesma hora,tem a minha palavra.
—Promete?—mostro o dedinho.Já sabendo que ele não irá cumprir,mas não custa acreditar.
—Prometo.—junta seu dedinho com o meu,em nosso juramento.
Não sou de sair pra baladas encher a cara de cachaça.Prefiro ficar em casa,mararonando ou lendo um livro de baixo da minha coberta quentinha,ou bebendo um chocolate quente,jogada no sofá.
Já disse pra ele que ia está lá,não posso desfazer a promessa de dedinho.
Quando dá 7 e meia da noite eu começo a me arrumar.Será uma baladinha com os alunos,na casa de alguém que não sei quem é. E tomara que não termine em polícia e todo mundo na delegacia.Só vejo este desfecho nos filmes adolescentes.Não quero nem pensar em meus pais indo me tirar da delegacia.
Opto por um vestido cor preto de alcinhas.É colocado na parte dos meus s***s e solto nas pernas.Marca também a minha cintura.É bem estilo menininha virgem,e eu sinceramente amo os meus vestidos que são nesse estilo.Deixo os meus cabelos soltos e faço uma maquiagem bem levinha,que não marque tanto o meu rosto.
(Ignorem o óculos escuros)

Calço um salto também preto,que ganhei do meu tio quando fiz 15 anos.Foi dois anos a trás,quase três,mas ainda cabe no meu pé e vai caber por muito tempo.Já que eu não cresço e também não sou de jogar fora um presente,ainda mais que está quase novo.Eu amo tênis,e também amo as sandálias básicas que não machucam o pé.Já que gosto de usar os dois.Em festas eu vou pelo salto, domingo em família no chinelo básico mesmo,passeio com a família no parque ou algum lugar o tênis é preferência.

Pego a minha bolsa de lado e vou pra sala.Meu irmão Brandon está jogado no sofá,comendo pipoca e assistindo televisão.Quando me vê arrumada franze o cenho e me olha de cima a baixo.
—Vai pra onde desse jeito?
—Sair.—digo óbvia.Ele gosta de se fazer de i****a as vezes.
—Jura que vai sair?—é irônico.Eu apenas concordo.—Pensei que tinha se arrumado pra ficar dentro de casa.
—Deixa de ser palhaço Bran.—bato na sua cabeça com certa força,ele me olha com cara feia passando a mão no local,mas não me xinga.
—Oh Hugo dá um pulinho aqui na sala.—grita meu outro irmão,que olha está na sala também.—Fala pra sua irmã ir trocar de roupa.
—Vai lá e arrasa mulher.—sorrio com a brincadeira dele.—Deixa os boy babando,e depois me conta quem se encantou com a minha irmã gata.
—Não era pra você ficar do lado dela seu bobalhão.—Bran repreende ele.—Ela é nossa princesinha lembra?
—Ah é verdade!—parece ter se lembrando dessa bobagem que eles inventaram.
—Então..?—deixa a pergunta no ar.
—Nada de cunhados pra gente.—Hugo muda seu argumento,agora ficando ao lado de Bran.
—Até parace que eu sou uma criança,me poupe.—reviro os olhos.—Podem parar vocês dois com a palhaçada.
Eles são mais velhos que eu.Bran é o mais velho de todos e tem 22 anos,ainda mora aqui com a gente.Hugo é o do meio e tem 19 anos.Já eu sou a caçula e tenho 17,e só pra ressaltar,quase 18,em poucas semanas.
—Mais tá linda Ste.—Hugo da um beijo na minha bochecha.—Vai ir com quem?
—Wil vai vim me buscar.E obrigada pelo elogio.
—Já sabe se tiver algum problema é só ligar pra gente,que vamos te buscar na mesma hora não sabe?—toca o meu rosto com carinho.Eu adoro o geito carinhoso de Hugo.Ele é menos implicante que Bran,e não fica com conversa quando me vê com alguém do sexo oposto.
—Eu sei Huguinho.—aperto sua bochecha,e ele sorri ainda mais.
Minha mãe também aparece na sala,e diz que eu estou linda.Me pareço muito com ela.
—Lembre-se de chegar antes das 10.—me alerta.—Infelizmente a violência contra nós mulheres está muito grande.
—Muito antes disso eu estarei aqui.—beijo seu rosto,a abraçando.—Não precisa se preocupar mãe,eu estarei em casa em breve.
Ouço uma buzina e vou saindo.
—Tchau família.
Wil está vestido de forma despojada,mas está lindo.Com uma camisa polo azul marinho,calça jeans e tênis preto.Ele é muito lindo,de verdade,e não é exagero nenhum.
—Está linda Stelinha.
—Obrigada e você também está.
Ele veio no carro da irmã,me diz que foi praticamente ameaçado de morte se não levar o carro inteiro pra casa.Fomos o caminho inteiro rindo horrores.O local da festa era uma mansão chique e bem moderna.Cheio de gente transitando pra lá e pra cá,com copos cheios de bebidas.
Já sinto o arrependimento bater!Mas se já estou aqui,não irei embora agora.
—Vamos curtir a festa.
Descemos e já sinto olhares em mim.Wil me dá o braço e eu seguro,entrando pelo meio do povo.A música está bem alta e voz alta das pessoas se mistura em meio a batida eletrônica.
—Quer alguma coisa pra beber?
—Eu não bebo,esqueceu?—digo irônica.
—Nem água?—brinca.
Ele pede uma batida de frutas vermelhas pra ele e uma garrafa de água pra mim.Sou a careta,que vai pra festas mesmo sem beber nada que tinha teor alcoólico.Por esse e outros infinitos motivos eu não gosto de festas.
Wil some em meio ao povo e eu fico sozinha num canto.Logo vejo ele se agarrando com uma garota dos cabelos pretos longos.Tô vendo que ele vai me deixar pra escanteio aqui mesmo.
—Filho da mãe!—o xingo.
Vou saindo até que chego em um jardim na lateral da casa,que é bem grande e bonito.As árvores bem podadas,impecáveis.
Ando pelo jardim inerte,tentando fugir do barulho ensurdecedor. Chego em uma parte mais afastada,e fico olhando o céu que está bem estrelado.Não sinto a proximidade de ninguém,até que escuto uma voz que conheço bem,sussurrar no meu ouvido,me deixando arrepiada.
—Precisa de companhia?