Vou Acabar Com Essa Festa!

953 Words
Voltei para o meu apartamento e cuidei do meu hematoma. Eu não era muito boa na cozinha, então pedi uma pizza para o jantar enquanto analisava alguns balanços do setor financeiro. A minha concentração foi quebrada por um barulho de música eletrônica que ficava cada vez mais alto. A acústica do edifício era muito boa, pois dificilmente eu escutava alguma coisa. Então eu só podia pensar que o meu vizinho da cobertura estava dando uma festa na área externa. Tentei não dar ouvidos, mas era impossível, então resolvi ligar para a portaria e reclamar. - Boa noite, Srta. Castillo, em que posso ajudá-la? - Perguntou Tomás, um dos porteiros. -Tomás, por favor, peça para o vizinho da cobertura abaixar o volume do som. Estou resolvendo coisas do trabalho e fica difícil com toda essa barulheira. - O porteiro ficou em silêncio e achei estranha a atitude dele. - Tomás? - Desculpe-me, Srta. Vou ver o que posso fazer. Respirei fundo, eu sei que não seria justo descontar minha raiva nele. Mas.. - Se trata de alguma estrela de Hollywood? - Zombei, e ele deu uma risada sem graça. - Quase isso, senhorita, na verdade, quem mora na cobertura é o Sr. Noah Petterson. E o prédio também é dele. Então, eu fico em uma situação delicada. - Era ele. Como eu não tinha suspeitado disso antes? - As regras do condomínio são claras, Tomás, não importa se ele é um morador de rua ou presidente dos Estados Unidos. - Desliguei o telefone possuída pelos sete demônios, já que o porteiro não poderia fazer nada, eu iria até lá e acabaria com a festa desse playboy b****a. Saí de robe e camisola e peguei o elevador. Só quando senti o piso gelado, me dei conta de que estava descalça. f**a-se! Não estava me importando com o que ele pensaria, só queria que entendesse que eu não compactuava com esse comportamento dissimulado. Quando as portas do elevador se abriram, eu marchei em direção à grande porta da cobertura dele e comecei a fritar a campainha. Um rapaz uniformizado atendeu, o seu sorriso simpático sumiu ao analisar as minhas roupas. Passei por ele e notei que o barulho ficou ensurdecedor. A sala estava cheia de pessoas, bebendo e dançando, mesmo assim, fiquei impressionada com o tamanho do lugar. As pessoas estavam tão envolvidas em conversas que m*l perceberam os meus trajes. Passei os olhos pelo local e não encontrei o infeliz do Noah, então caminhei para a parte externa. E, finalmente, o encontrei. Usava um jeans rasgado e uma camiseta branca. Em nada lembrava o estilo sério do pai. Noah parecia mais um badboy, grande e musculoso, porém, o rosto de modelo amenizava o corpo bem definido. Estava rodeado por meia dúzia de mulheres e levantou as sobrancelhas assim que me viu. - Eu sei que não foi convidada, mas pode ficar. - Ele falou, olhando para o laço do meu robe preto. - Não faço questão nenhuma de ficar nessa festa i****a. Só preciso que abaixe o volume da música. Algumas pessoas trabalham amanhã, Sr. Petterson. - Ele me pegou pela mão e guiou para um canto vazio. Durante o pequeno trajeto, consegui ver um DJ e uma mesa de som ao lado oposto de onde estávamos. - Qual o seu problema, garota? - Cruzei os braços no peito, louca para avançar nele. - Qual o meu problema? Você está dando uma festa em plena terça-feira, com direito a DJ e mesa de som, e eu tenho que achar normal? - Sinto muito se algumas pessoas gostam de se divertir e aproveitar a vida. - Fechei os olhos e respirei fundo, Noah Petterson era a materialização de tudo o que eu mais odiava em um homem. - Não me interessa se você é um irresponsável que vai torrar a fortuna dos Petterson´s com festas e mulheres. Se não der um jeito nesse som, eu vou dar. - Noah ficou estático com a minha sinceridade. E já que ele não demonstrou nenhuma reação, caminhei para dentro da festa, deixando-o para trás. Fui até a cozinha, achei uma tesoura em uma das gavetas e voltei para a área externa. Tomei cuidado para não ser vista por ele. Caminhei até a mesa de som e tirei as tomadas do adaptador, o DJ me fuzilou com o olhar, e o pessoal gritou e vaiou, peguei a tesoura e comecei a cortar os fios com uma raiva tão grande que não cabia dentro de mim. - O que pensa que está fazendo? - Noah perguntou, e eu parei de cortar. - Exatamente o que você está vendo, acabando com a sua maldita festa. - Joguei a tesoura embaixo da mesa e saí, Noah veio em meu encalço. Passei por entre as pessoas que me olhavam como se eu fosse algum tipo de maluca. - Espere, garota!" - O meu nome é Emilly! E escute bem uma coisa, não me interessa se você é dono desse edifício ou da ilha de Manhattan, eu moro no apartamento de baixo de você e quero dormir em paz! Fui clara? Ele confirmou com a cabeça e ficou me encarando como se eu fosse algum alienígena. - Noah, porque acabou a música? - Uma loira de cabelos extremamente lisos apareceu e começou a alisar o braço dele, olhei no mesmo instante para mão dela e me senti incomodada com o gesto. - O DJ está dando um jeito. - Ele respondeu para a lambisgoia. Pelo visto, o meu discurso não serviu de nada. f**a-se! Pelo menos, eu mostrei a ele que não tenho sangue de barata e que, toda vez que ele der uma festinha, corre o risco de uma vizinha louca aparecer.
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