Passei o resto da tarde no quarto, fazia um calor insuportável na ilha e preferi o conforto do ar
condicionado a ter que aturar o povo bêbado da piscina.
No final do dia, a campainha tocou e imaginei que fosse a minha amiga Sendy, já que eu havia fugido dela o dia todo. Caminhei até a porta, me preparando mentalmente para escutar as suas reclamações pelo meu sumiço. E me surpreendi ao abrir e dar de cara com um senhor engravatado.
- Oi. - Eu falei sem graça, abrindo metade da porta.
- Desculpe incomodá-la, senhorita Castillo, mas venho a pedido do Sr. Petterson. - Ele disse.
- Ah. - Eu falei, entendendo a situação, ele era um dos seguranças do bonitão. - Sim, e no que posso ajudá-lo? - Tentei ser educada.
- Ele pediu que a convidasse para o evento que terá em sua casa aqui na ilha. Será hoje à noite. Os convites estão aqui, pode levar uma amiga se quiser. - Soltei uma gargalhada estrondosa! Sério mesmo que ele achava que eu era esse tipo de garota?
- Falei algo errado, senhorita? - Neguei com a cabeça. - Fale ao seu chefe, patrão, Deus, ou sei lá como o chamam, que não! Eu não tenho interesse na festa dele - O pobre segurança ficou boquiaberto com a minha atitude, mas deu o esboço de um sorriso no final.
- Falei algo engraçado? - Repeti a pergunta dele, que acabou negando com a cabeça.
- Não, Srta. Apenas achei curioso, distribui esses convites para as mulheres mais bonitas da ilha, e a senhorita foi a única que recusou.
Assim que o segurança do Noah foi embora, eu me peguei pensando que tipo de orgias e loucuras rolaria nessa festa. Eu tinha que admitir que ele era um gato. Entretanto, beleza nunca foi um ponto forte, para me convencer a ficar nua. Azar o dele!
O dia seguinte chegou e resolvi antecipar a minha viagem para Nova York. Afinal, eu já tinha feito a vontade dos meus pais e aproveitado as minhas férias, como uma jovem normal.
- Não acredito que você tinha convites para a festa dele e não quis ir. - Continuei arrumando
a minha mala enquanto a Sendy lamentava por ter perdido a festa.
-Eles estavam distribuindo esses convites para Deus e o mundo. Com certeza, só teria mulher. - Tentei argumentar, e ela revirou os olhos. - Noah Petterson estaria lá.
- Sim, e todas estariam disputando ele, percebe como isso é ridículo?"
- Meu Deus, Emilly, se continuar antiquada desse jeito, vai morrer virgem. - Usei todo o meu talento para aguentar os comentários desnecessários.
-Que seja, antes morrer virgem que abrir as pernas para qualquer b****a mauricinho que não vai lembrar o meu nome no dia seguinte.
- Você fala isso porque nunca fez um s**o quente e suado. - Parei de arrumar a minha mala e
joguei uma almofada nela. - Já chega, o meu voo sai em duas horas. Tenho muita coisa para fazer e pensar em s**o não vai me ajudar. - Ela levantou da cama e me abraçou.
- Sabe que te amo, mas vou ficar mais alguns uns dias, nos encontramos em Nova York,
certo? - Confirmei com a cabeça e me despedi da minha melhor amiga.
Assim que ela deixou o meu quarto, eu fiquei imaginando quantas vezes ela ainda teria que
quebrar a cara para mudar e se tornar uma pessoa diferente. Pois em todos os anos da minha vida, eu nunca conheci alguém tão desmiolada.
O voo até Nova York foi tranquilo, e diferente do que os meus pais pediram, eu dispensei o
motorista e preferi um táxi. Eu queria sentir o gosto da liberdade, queria contrariá-los só para me sentir um pouco rebelde. Era i****a, mas era real.
Eu me sentia deslumbrada, conforme o táxi rodava pelas ruas de Nova York. Toda aquela gente caminhando de um lado para o outro, o mar de carros, o barulho, a poluição. Nossa!
Não era a minha primeira vez na cidade, longe disso. Mas sempre ficava fascinada com cada detalhe. Eu esperei a vida toda para morar ali e aproveitaria cada momento. Assim que cheguei no apartamento dos meus pais, em uma região nobre da cidade, percebi que eles haviam feito algumas reformas. E confesso que amei.
Minha mãe era uma arquiteta renomada e, conforme eu andava pelo apartamento, confirmava a minha suspeita de que tinha dedo dela em cada detalhe. A sala era enorme com pé direito alto e janelas panorâmicas com vista para o Central Park, tudo em tons claros e móveis modernos. Passei pela sala de jantar e fui até a cozinha. Estava curiosa para ver tudo.
Era incrível como ela fazia todos os ambientes conversarem. Sorri animada, dei mais uma bisbilhotada e fui para o meu quarto. Ficou combinado que eu moraria no apartamento da família e ajudaria o meu pai a administrar os bancos de Nova York, a sede administrativa fica no coração da cidade, e eu começaria em poucos dias. Queria aproveitar para fazer uma visita surpresa no meu novo trabalho e, quem sabe, dar uma volta pela cidade. Durante o meu soninho de beleza, eu tive um sonho bem quente com o senhor gatão Petterson, mas nada que um banho gelado não resolvesse. Saí do meu closet e, enquanto penteava os cabelos, fiquei pensando na reação dele quando descobriu que eu recusei o seu convite. No mínimo, achou grosseria da minha parte.
Eu não tinha vindo a Nova York para perder tempo com homens, eu queria aproveitar o máximo possível a minha liberdade. E sei exatamente a fama dos Magnatas de Manhattan, são egocêntricos e possessivos.