Um dia normal no morro

1153 Words

DALILA NARRANDO O vapor da água quente ainda dançava no espelho do banheiro, desfazendo aos poucos a imagem do meu próprio rosto. Eu tinha acabado de sair do banho, os cabelos ainda pingando pelas costas, a pele avermelhada do calor. Me enrolei na toalha e girei a maçaneta — trancada. Era claro que ele ia tentar entrar. Peralta tinha essa mania de invadir tudo: meu quarto, minha rotina, meu silêncio. Peralta — Abre aí, pô! — ele gritou do outro lado, a voz meio abafada. Ignorei. Esperei alguns minutos, ouvindo ele bufar, arrastar os pés. Só saí quando ouvi o barulho do isqueiro estalando , sabia que ele tava fumando. Quando abri a porta, ele tava largado na minha cama, pelado, tragando devagar o baseado que já quase apagava entre os dedos. — Levanta — falei seca — Ele virou o rosto, o

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