Sal e Silêncios

1223 Words

A gente acabou levantando sem pressa, daquele jeito meio torto de quem ainda está tentando se encontrar dentro do próprio corpo. Manuela foi a primeira a sair da cama, puxando as cortinas de uma vez, deixando o sol invadir o quarto como se tivesse direito adquirido ali. A luz bateu forte, me fez piscar algumas vezes, mas eu não reclamei. De certa forma, aquele excesso de claridade combinava com a tentativa que eu estava fazendo de clarear a cabeça. — Vem, preguiçoso — ela disse, já indo em direção ao banheiro. — Café da manhã tá esperando a gente. Levantei logo atrás dela. Tomei um banho rápido, água morna escorrendo pelas costas, tentando lavar não só o sal da noite anterior, mas aquela sensação incômoda de desalinhamento que ainda insistia em ficar. Fiquei alguns segundos parado, com a

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD