O quarto estava mergulhado naquele silêncio particular das madrugadas profundas, quando até o ar parece mais pesado. O resort dormia. O mundo inteiro, ao que tudo indicava, tinha decidido dar uma trégua. Só eu não. Manuela dormia ao meu lado, de lado, o lençol enrolado na cintura, os cabelos espalhados pelo travesseiro de forma desordenada. O rosto relaxado, sereno, bonito de um jeito quase doloroso. Havia algo de injusto naquela tranquilidade dela diante do turbilhão que eu carregava por dentro. Respirava devagar, profundamente. Eu acompanhei o ritmo por alguns segundos, tentando me ancorar ali, naquele som conhecido, doméstico, seguro. Minha esposa. Minha escolha. Então o celular vibrou. Foi um som baixo, discreto, mas suficiente para me arrancar do torpor. Meu corpo reagiu antes da

