Acordei antes do despertador naquele dia. Não por ansiedade exatamente, mas porque minha cabeça simplesmente resolveu funcionar sozinha, como um rádio m*l sintonizado, pulando de pensamento em pensamento sem pedir licença. Fiquei alguns minutos de olhos abertos, olhando o teto do quarto, ouvindo a respiração tranquila da Manuela ao meu lado. Ela dormia de lado, abraçada ao travesseiro, cabelo espalhado pelo lençol, aquele jeito desarmado que sempre me fazia pensar o quanto eu tinha sorte. Estiquei a mão devagar e afastei uma mecha do rosto dela, sem acordá-la. Um gesto pequeno, quase automático. Levantei com cuidado, fui até o banheiro, lavei o rosto, encarei meu reflexo no espelho por alguns segundos. Parecia tudo normal. E estava. Mas por dentro eu sabia que aquele dia carregava uma p

