A vida tem um jeito curioso de se ajeitar quando a gente para de brigar com ela. A cada dia estávamos diferentes. Não no sentido dramático, de grandes revelações, mas naquele ajuste fino, quase invisível, que só quem vive junto percebe. Era como se o tempo tivesse apertado alguns parafusos soltos, alinhado coisas pequenas que, no dia a dia, vão se perdendo. Naquele dia, chegamos em casa cansados, mas leves. Manuela entrou primeiro, largando a bolsa no sofá, tirando o sapato ali mesmo, descalça, andando pela sala como quem revisita um lugar querido. Eu fiquei observando por um instante, com aquela sensação boa de pertencimento. Casa. Ela. Nós. — Ai… nada como o nosso canto — ela disse, esticando os braços, rindo. — Concordo — respondi. — a nossa bagunça é imbatível. Ela riu alto, aque

