Eu não avisei que estava indo. Talvez porque algumas decisões não pedem anúncio, só coragem. Talvez porque eu ainda estivesse com medo de que, se pensasse demais, o impulso se dissolvesse. Ou talvez porque certas certezas só funcionem quando a gente age antes que o mundo tente argumentar contra elas. O portão da mansão da Manuela se abriu com a mesma discrição elegante de sempre. Luzes suaves iluminavam o jardim perfeitamente cuidado, as árvores altas recortando sombras longas no caminho de pedra. Estacionei, desliguei o carro e fiquei alguns segundos ali, com a pequena caixa no bolso do paletó. Respirei fundo. Eu já tinha pedido Manuela em casamento. Ela já tinha dito sim. Mas aquilo… aquilo era diferente. Toquei a campainha. Ouvi passos do outro lado. Passos leves, conhecidos.

