“__O novo complexo residencial Morada da Garça será um investimento de 40 milhões de reais e contará com a infraes..... “
Bla..bla bla bla.... eu confesso que eu não ouvia uma só palavra do que estava dizendo. Eu só queria voltar pro hotel, tomar um banho, pegar minha mala que já deixei pronta e ir rumo ao aeroporto.
Deixei Marcos, meu fiel escudeiro e amigo desde os tempos de colégio cuidado da empresa em São Paulo, mas ele já havia me mandado mil mensagens querendo que saíssemos hoje à noite pra pegar algumas vadias.
Pra ser sincero, ao longo desses anos, eu não me relacionei com ninguém, eu não acreditava mais nessa merda chamada amor desde quando minha pequena Valentina foi embora covardemente levada por aquele velho maldito do pai dela.
Me contentei todos esses anos a sair com alguma v***a que só queria saber de algumas bebidas caras, alguns passeios de iate no fim de semana em Ubatuba, ou Angra, e tirar muitas selfies pagando de ricas para as amigas nos i********: da vida.
Eu dava o que elas queriam – o luxo do fim de semana - e elas me compensavam com aquelas bucetas sedentas esperando por um p*u. Um s*********y? Não! Eu não era, pois trocava f**a por dinheiro. Eu acho que posso chamar de acompanhante de luxo. Mas de uns tempos pra cá, eu estava mais firme com a Jane. Já estava com ela já tinha pouco mais de uma semana e ela não me enchia o saco. Vamos chama-la de minha “p**a fixa”.
Essa sensação de ser o dono da situação me dava um t***o fodido. Eu mandava, ela fazia. i**************a. Isso era bom. E com isso fui blindando meu coração e minha mente dessa coisa que vocês chamam de amor. Que pra mim é pura balela.
Falando em Jane e voltando a Marcos, eu ia ser obrigado a desmarcar com ele, pois tinha deixado marcado com Jane assim que chegasse que iria compensá-la pela minha ausência e precisava de um sexo daqueles.
Já tinha ido no i********: da Sexy e Sem Rotina - @sexyesemrotina – pra dar uma olhada nas novidades que minha amiga, dona da loja sempre postava e adquiri um combo de lingerie, camisola e robe bem sensuais e mandei minha amiga, dona da loja entregar diretamente na casa dela no dia seguinte com um bilhete que dizia:
“Esteja usando um deles hoje
no nosso encontro. Te pego as 20:00hs.
Esteja bem molhada”
É... sou prático e consequentemente sem muito amorzinho. Por mim, mandava logo um, “quero te comer v***a!”, mas Fê não deixava eu ser tão direto ao ponto e dizia que homem tem que saber ser um pouco romântico. Romântico é meu p*u! Eu dizia.
Como meu voo saía à noite, daria tempo de chegar pela manhã, passar na empresa em São Paulo e ainda descansar um pouco antes de encontrar a Jane....
O dia de Ação de Graças estava próximo e o tempo estava fechado na cidade quando cheguei. Tempos que não via São Paulo tão nublado desse jeito. Mas tudo bem, combinava com o meu humor que também estava desse jeito: nublado.
E vem cá, qual era mesmo a novidade? Eu sempre parecia estar nublado. Eu chegava de cara feia e saia de cara feia. Acho que a única pessoa que conseguia me ver sem cara feia era Marcos. Esse i****a conseguia me fazer sorrir de um jeito que eu ainda não sei dizer com suas piadas infantis e s*******o.
Tenho pena da senhora Lopes. Ela me via e ao mesmo tempo seu corpo mudava de cor. Não sei de medo ou de t***o por mim. Vai saber hahaha, mas ela era a única que sabia dos meus podres, dos meus perdidos e de toda minha vida profissional e posso dizer até mesmo pessoal, já que marcava com as piranhas que eu saia e encaixava cada uma das vadias na minha agenda.
Quando pousamos e eu ainda pegava minhas malas, um cheiro que não me era estranho me chamou a atenção seguido de umas revistas que caíram em meus pés.
Antes mesmo de iniciar um “c*****o” que provavelmente eu soltaria em situações assim, eu perdi totalmente a fala e os gestos quando me deparei com ela.
Era a mulher dos meus sonhos. Era a minha Valentina.
“___Vo... vo....você!”
Com um olhar penetrante e sem esboçar nenhum tipo de reação ela foi seca e grossa:
“__O gato comeu sua língua que você não consegue falar?”
“__ É, me desculpe, sou Felipe e você é...?”
“__Valentina, Valentina Vanini! Obrigada pela ajuda, mas tenho que ir, estou atrasada!”
Ela logo pegou suas coisas que estavam em minhas mãos possivelmente trêmulas e incrédulas e se afastou.
Meu Deus! É ela! Aqui, na minha frente! É ela!
Eu precisava fazer alguma coisa! Logo peguei minhas coisas e saí pela porta da aeronave esperando encontra-la, mas ela já havia sumido.
Fui em direção à esteira de bagagens e lá estava ela, nitidamente com pressa, com uma saia lápis preta, uma blusa social que amarrava um laço do lado pescoço e os cabelos esvoaçantes como ela vinha em meus sonhos.
Meu Deus ela existia. Mas não era a minha Valentina, apesar da semelhança com o nome, não tinha nada a ver com Gregório. O sobrenome era Vanini.
Eu não podia sair dali sem deixar meu cartão, sem convidá-la para jantar, sem convidá-la pra fazer parte da minha vida.
Eu não digo como as vadias que como e logo dispenso, mas com ela meu desejo era diferente e de um jeito que não sei explicar. Apesar do meu amor ser todo da minha Valentina, essa mulher que me assombrava nos sonhos devia ter alguma explicação.
Fui até ela e tomei coragem:
“__Oi tudo bem? Sou eu de novo!”
“__ahh.. você! O que deseja?”
“__Valentina, né?”
“__Sim. Como posso te ajudar?”
“__ Gostaria de saber se está na cidade a passeio, trabalho..”
“__Creio que nãos seja um assunto no qual lhe compete senhor......”
“__Felipe!”
“__Felipe, sim..., mas respondendo sua pergunta, vim a trabalho e pra anunciar meu noivado.
Ela logo estendeu a mão me mostrando um lindo diamante que tinha no mínimo uns 12 quilates. Nãããooo.. eu jamais faria algo assim pra uma dessas vadias por aí, até porque nunca vou me casar, né?
“__Entendo, e a senhorita trabalha com o que?”
“__Muito curioso, não acha senhor Felipe?”
“__ Um pouco. Quando me interessa a pessoa em questão, sim!”
“__Uma pena seu interesse ter que ir embora, mas como disse sou comprometida. E a propósito, sou designer de joias e CEO da LUX.”
“__Não creio! Acho as joias com o designer mais sutil e perfeito de todos!”
“__Obrigada senhor Felipe, mas o senhor não me aparenta ser o tipo de cara que conhece desse tipo de coisa, pois não vejo em seus olhos o gosto ou prazer em presentear uma bela dama com uma de minhas joias.”
“__Sou tão óbvio assim?”
“__ Como o senhor, conheci várias pessoas, e garanto que não foi nem um pouco prazeroso.”
Logo em seguida puxo meu cartão para convidá-la pra sair quando sinto um tapa nas costas. Era Marcos vindo me buscar.
“__E aí cara! Como foi a viagem garanhão?”
“__Fechamos mais um contrato, mas eu....”
Ela tinha ido embora e eu a procurava por todos os cantos e não a via. Eu Precisava daquela mulher. f**a-se que ela estava noiva. Eu precisava tê-la em meus braços.
Fui embora e o mau humor triplicou. Nada que Marcos falasse, faria com que meu humor melhorasse e eu só sabia pensar em Valentina. Somente nela.
Chegamos na empresa e fui acertar os últimos detalhes da negociação de Manhattan com Marcos quando a senhorita Lopes entra na sala.
Ela sabia o quanto eu odiava que me interrompesse durante uma reunião, mas ela era a única pessoa nessa empresa que tinha autorização pra isso sem que eu quisesse esganar.
“___Com licença senhor Walker!”
“__Pois não senhora Lopes.”
“__O seu pai...”
“__ Eu já disse que não quero ele aqui nessa empresa!”
“__Ele não está aqui senhor, mas esteve. Mais cedo!” Deixou esse convite e esse envelope pro senhor. Pediu que olhasse com carinho”
Inferno! Dei um tapa na mesa e Marcos logo pediu pra que eu me acalmasse.
“__Calma cara! Você vai ter um treco!”
“Meu pai me irrita profundamente Marcos. Que raios de convite é esse agora?”
Relutei contra minha curiosidade, mas foi em vão.
Abri o envelope e lá estava o seguinte recado:
“Eu não sabia qual era o momento mais oportuno
pra lhe dar essa notícia e também não
queria estragar sua reunião te enviando o
convite por e-mail. Apenas espero que você
vá e não me decepcione dessa vez.”
Não hesitei e abri logo o convite: E lá estava o quarto convite de noivado de meu Pai onde ele apresentaria sua noiva à todos no nosso jantar de ação de graças.
“__Não posso crer no que aquele filho da p**a tá fazendo de novo. Outro noivado? Outro casamento? Pra daqui a pouco tomar um pé na b***a de novo?”
“__Eu não acredito que você ainda não conhece a nova noiva do seu pai, Felipe. A mulher é gostosa, mas tem cara de não me toque. Não sei o nome, mas eu foderia ela por todas as partes possíveis. Seu pai caprichou dessa vez, meu caro!”
“__Vai se f***r Marcos!”
“__Qual é! Mas você vai ou vai sair à noite, beber todas em uma balada qualquer e chegar fazendo vexame no jantar como fez o ano retrasado?”
“__Não sei ainda. Veremos!”