Carla Narrando Fiquei sozinha no apartamento da minha tia. O silêncio ali era diferente, não era pesado como o da casa da minha mãe. Lavei a louça do café da manhã devagar, como se cada prato fosse um jeito de organizar a cabeça. Depois fiz uma comidinha simples, nada elaborado, só para não passar o dia em branco. Almocei na varanda, sentada de frente para a paisagem, observando o movimento lá embaixo, respirando fundo aquele ar do Rio de Janeiro que parecia mais leve, mais vivo. Mesmo com tudo embolado dentro de mim, por alguns minutos consegui sentir paz. À tarde, meu celular tocou. Era a minha mãe. — Onde você está, Carla? — No Rio de Janeiro. Do outro lado da linha, silêncio. Longos segundos que pareceram eternos. — Você tem que voltar imediatamente — ela disse, a voz dura. — Co

