Isadora Narrando Quando o baile acabou, eu já tava completamente exausta. O corpo pesado, as pernas cansadas, mas a cabeça ainda ligada, como se o som continuasse batendo dentro de mim. Carlos segurou minha mão assim que descemos do camarote, firme, do jeito que me passa segurança. Ao nosso redor, os homens dele fechados, atentos, abrindo caminho, garantindo que nada saísse do controle até a gente entrar no carro. — Tá tudo bem? — ele perguntou baixo, inclinando um pouco o rosto pra mim. — Tô só cansada — respondi, sorrindo de leve. Entramos no carro. Eu fui no banco do carona, ao lado do meu amor. Atrás, a Carla sentou junto com a Rafa, ainda elétricas, cochichando, rindo baixinho, comentando coisas do baile. Fechei os olhos por um instante enquanto o carro descia o morro. O silêncio

