Capítulo 13 – O Peso das Palavras Narrado por Theo

824 Words
As palavras da Lara ainda ecoavam dentro de mim como uma lâmina atravessando o peito. “O dinheiro muda as pessoas”. Ela não fazia ideia de como aquilo me destruiu. Não era só sobre dinheiro… era sobre tudo o que enfrentei, cada noite sem dormir, cada derrota que transformei em vitória, e no fim, a única pessoa que eu queria ao meu lado, duvidava de mim. Eu estava tão cheio de raiva, mas no fundo era dor. Não queria ir para casa , porque sabia que acabaria me afundando ainda mais. Liguei para Leonardo, o único amigo que tenho de verdade aqui. Ele não fez perguntas, só disse: — Vem pra cá, irmão. Às vezes só precisamos falar. Quando cheguei, ele me recebeu como sempre: de braços abertos e silêncio na medida certa. Colocou duas taças sobre a mesa e logo estávamos bebendo. Eu não sou bom com bebidas, mas naquele momento queria me anestesiar, calar as vozes da minha cabeça. Depois de alguns copos, já m*l conseguia ficar de pé. E só falava dela. — A Lara… — suspirei, passando as mãos no rosto. — Ela acha que eu mudei, Leo. Como se tudo o que conquistei fosse maior do que o que sinto por ela. Ele me olhou sério. — Theo, você a ama. Isso é claro para qualquer um. E sabe por que doeu tanto ouvir aquelas palavras? Porque, no fundo, você sabe que não quer que ela sinta isso. Então se acalma. Pense antes de falar. Você e ela são maiores que qualquer orgulho. Eu o abracei, com lágrimas que não queria admitir. — É verdade, Leo. Eu amo essa mulher… E talvez seja por isso que as palavras dela me destruíram tanto. Leonardo não me deixou dirigir. Me levou até o prédio e chamou o porteiro para me acompanhar até o apartamento. Antes de ir, olhou firme nos meus olhos: — Não joga fora o que vocês têm, Theo. Quando entrei em casa, o sol já estava nascendo. Ela estava sentada tomando o pequeno almoço, com o rosto cansado e os olhos vermelhos de tanto chorar. Por um instante, quis correr até ela, abraçá-la, mas o orgulho falou mais alto. As palavras dela voltaram à minha mente como uma ferida aberta. Quando perdi o equilíbrio, ela se levantou para me segurar, mas eu a proibi que tocasse em me com a voz dura: — Não encosta em mim. E fui direto para o quarto. Tomei um banho frio e me joguei na cama, exausto, e quando acordei, já era noite. Peguei o celular: dezenas de chamadas da empresa, algumas da Lara. Fiquei olhando para o número dela piscando na tela. Minha mão queria ligar, mas minha cabeça gritava não. Desisti. Saí do quarto e fui até a sala: vazia. Na cozinha, finalmente a encontrei. Estava de costas, preparando algo, mas antes que eu dissesse qualquer coisa, ela soltou um gemido baixo, levando a mão à barriga. — Lara? — meu coração disparou. Corri até ela, a segurei e a sentei numa cadeira. Segurei seu rosto entre minhas mãos, o medo me consumindo. — Amor, o que você tem? Ela não respondeu. Apenas chorou. Aquilo me matou. Eu, que sempre fui forte, me vi perdido, sem saber como ajudá-la. A abracei forte, tentando passar para ela o que eu mesmo não sentia, segurança. Quando as lágrimas cessaram, me afastei devagar, enchendo um copo d’água e levando até seus lábios. — Bebe, meu amor. — respirei fundo, sentindo o peso da culpa esmagar meu peito. — Lara… me perdoa. Eu sei que errei. Às vezes não sou o homem que você merece. Ela me olhou com os olhos marejados e a voz baixa. — Meu amor, me perdoa você também. Eu não falei aquilo de coração… falei no calor da raiva. O nó na minha garganta se desfez quando seus dedos tocaram minha mão. Eu a beijei com tudo o que sentia, um beijo cheio de dor, mas também de promessa. — Você e o nosso filho são os meus bens mais preciosos. Nada mais importa, nada. Passei a mão sobre sua barriga, ainda tão discreta, mas já tão importante para nós. — Melhor irmos ao médico, só para ter certeza… — sugeri, tentando manter a calma. — Ainda sente dor? Ela assentiu, com a voz fraca. — Um pouco. Peguei as chaves e a levei até a clínica que tem convênio com minha empresa. O médico foi direto: não era nada grave, mas recomendou que ela evitasse estresse e esforço nos primeiros meses. As palavras do médico caíram sobre mim como uma sentença. Eu era o culpado. Eu, com o meu orgulho, com as minhas discussões inúteis. No carro, segurei sua mão e prometi baixinho, quase como um juramento. — Chega de brigas, Lara. Eu vou cuidar de você. Vou tratar você como merece, todos os dias da minha vida. Ela encostou a cabeça no meu ombro.
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