Capítulo 7 — Ausências Narrado por Lara

567 Words
Um mês havia se passado desde aquele jantar perfeito. Theo e eu estávamos mais unidos do que nunca, ou pelo menos era assim que eu sentia. Até que ele chegou em casa, numa terça-feira à noite, com aquele sorriso misturado entre orgulho e preocupação. — Amor… preciso te contar uma coisa — disse, largando a pasta sobre o sofá. — Isso parece sério. — É. Fechamos parceria com uma empresa americana de desenvolvimento de jogos. É um contrato grande, vai abrir portas absurdas pra mim e pra empresa. Mas… eu preciso viajar pra Los Angeles. Meu sorriso congelou. — Por quanto tempo? — A princípio, duas semanas. — Ele se sentou ao meu lado, segurou minha mão. — Vai ser corrido, mas é uma chance que não posso deixar passar. Fiz força para sorrir. — Claro, eu entendo… é o seu trabalho. No fundo, uma parte de mim queria pedir para ele ficar. Mas não seria justo. Eu sabia que aquele contrato era importante. No dia da viagem, ele me abraçou forte no aeroporto, me prometendo ligar todas as noites. E cumpriu… no início. As ligações eram rápidas, sempre entre reuniões, mas a voz dele estava animada, orgulhosa. Eu me esforçava para estar feliz por ele, mas a saudade já começava a doer. Na segunda semana, ele me ligou com uma novidade: — Amor… lembra que eu disse que ficaria duas semanas? Meu coração afundou. — Lembro. — A empresa quer que eu fique mais duas. Surgiram ajustes no projeto e eles insistiram que eu acompanhasse tudo de perto. Tentei não demonstrar o quanto aquilo me afetava. — Ah… entendi. E… você está trabalhando com quem lá? Ele hesitou. — A líder da equipe americana é a Emma Clark… O nome não me dizia nada, mas bastou uma busca rápida no Google depois da ligação para que minha respiração parasse. Emma Clark: loira, olhos verdes, sorriso de capa de revista, diretora criativa premiada e com fotos impecáveis em eventos milionários. Meu estômago revirou. “Claro… porque teria que ser justamente uma mulher dessas?” Eu tentava me convencer de que Theo me amava e que nada mudaria isso. Mas a cada foto dela com um sorriso perfeito, e a cada mensagem dele dizendo “hoje foi corrido demais pra ligar”, minha confiança ia sendo corroída aos poucos. Quando ele disse que voltaria naquela sexta, senti como se estivesse contando os dias para respirar novamente. Passei a semana planejando tudo: comprei vinho, preparei a lasanha que ele amava, deixei velas pela casa e até coloquei o vestido que ele sempre elogiava. As horas passavam… e nada dele chegar. Dei uma olhada no celular. Nenhuma mensagem. Liguei uma, duas, cinco vezes. Caixa postal. Mandei mensagem no w******p. Entregue, mas não visualizada. A comida esfriou sobre a mesa. As velas se apagaram sozinhas. E a ansiedade se transformou em um peso no peito. Meu cérebro começou a disparar hipóteses cruéis: “Talvez ele esteja com ela agora.” “Talvez ele não sinta mais saudades.” “Talvez ele tenha percebido que não me quer mais.” Olhei para o vestido que usava, me sentindo ridícula. Aquela noite que deveria ser de reencontro se tornou uma madrugada sozinha no sofá, encarando o celular como se ele pudesse me dar respostas. E, no fundo, um medo sussurrava: E se o amor não for suficiente para segurar ele longe dela?
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