O domingo começou preguiçoso, do jeito que eu queria. Acordamos tarde, ainda entrelaçados nos lençóis, e passamos a manhã rindo, provocando um ao outro, roubando beijos no meio de qualquer conversa. Fizemos um café da manhã caprichado juntos — ou melhor, a Lara fez e eu fiquei inventando desculpas para passar por trás dela e tocá-la, só para ouvir aquele suspiro que me deixava maluco.
Almoçamos sem pressa, e à tarde ficamos no sofá, assistindo filmes que quase não lembrávamos de prestar atenção. Entre uma cena e outra, acabávamos nos beijando, explorando cada vez mais o quanto tínhamos sentido falta um do outro.
À noite, depois do jantar, o clima mudou. O quarto ficou mais silencioso, mas o ar carregado de algo que só nós dois entendíamos. Lara se deitou, e eu me debrucei sobre ela, deixando meus lábios explorarem cada curva, cada pedaço da sua pele. Era como se eu quisesse memorizar de novo o caminho inteiro do seu corpo.
Seus gemidos baixos eram música para mim, e cada reação dela me fazia querer mais. Toquei-a com calma no início, depois com mais intensidade, sentindo cada músculo dela se tensionar sob minhas mãos. Nossos corpos se moveram juntos, no ritmo perfeito, como se a ausência tivesse nos ensinado a aproveitar cada segundo.
Fizemos amor mais de uma vez naquela noite, sem pressa de dormir. E, antes que o sono nos vencesse, ainda nos amamos de novo — um último momento, lento e profundo, no qual não existia nada além do som da respiração dela e o calor da pele contra a minha. Eu sabia que estava marcado nela assim como ela estava marcada em mim.
Na segunda-feira, a realidade bateu à porta. Às nove em ponto, me conectei para uma reunião on-line com meus sócios americanos, meu contabilista e a empresa de marketing.
As telas se encheram de gráficos, números e sorrisos.
— Theo, você tem noção do que fez? — disse Mark, meu sócio, rindo. — O jogo ultrapassou todas as projeções. Só nos primeiros dois dias, faturamos mais do que esperávamos para todo o mês.
Meu contabilista entrou na conversa para confirmar:
— Sua empresa agora é avaliada em milhões, e você, Theo, é oficialmente o jovem mais rico do país.
A notícia me atingiu com um misto de orgulho e incredulidade. Trabalhei duro para isso, noites sem dormir, decisões arriscadas… mas estar ouvindo aquilo agora, depois de tudo que passei nas últimas semanas, me dava uma sensação de vitória dobrada.
Terminamos a reunião com planos de expansão, novas parcerias e uma projeção ainda mais alta para o trimestre. Fechei o laptop, respirando fundo. Só queria compartilhar a notícia com a Lara.
Peguei o celular e disquei o número dela.
— Alô? — a voz que atendeu não era a dela. Era um homem, com um tom preocupado.
— Quem tá falando? Cadê a Lara? — perguntei, já sentindo meu estômago se contrair.
— Aqui é o Gustavo, colega dela. A Lara passou m*l de repente… correu para o banheiro. Acho que não tá nada bem.
O sangue gelou nas minhas veias.
— Como assim passou m*l? — minha voz saiu mais áspera do que queria.
— Não sei, Theo. Mas… acho melhor vires.
Olhei para a porta de casa como se ela fosse um obstáculo. Tudo o que eu queria naquele instante era chegar até ela.