Nos últimos dias, meu corpo parecia estar pregando peças em mim. O m*l-estar vinha e ia, acompanhado de enjoos persistentes que eu insistia em culpar pelo cansaço do novo projeto na empresa. Achei que talvez fossem só noites m*l dormidas, refeições rápidas demais ou até aquela tensão que sempre sinto quando um prazo importante se aproxima.
Ontem, no entanto, a coisa piorou. Passei a manhã com uma sensação estranha no estômago, mas continuei trabalhando. Hoje, durante o almoço com meus colegas, bastou o cheiro da comida para que tudo desandasse. O aroma forte me embrulhou o estômago de tal forma que larguei o talher e corri para o banheiro.
A última coisa que lembro é ter me apoiado na pia, tentando respirar fundo, mas a tontura venceu. O mundo escureceu.
Quando abri os olhos, a luz branca me incomodou. Piscando lentamente, percebi que estava deitada numa cama de hospital. O coração disparou. Me mexi um pouco e senti uma mão segurando a minha. Olhei para o lado.
Theo estava sentado ao meu lado, cabeça baixa, os ombros pesados, como se carregasse o mundo. Seus dedos envolviam os meus com tanta força que parecia temer que eu sumisse dali.
— Theo… — minha voz saiu fraca.
Ele levantou o rosto de imediato, os olhos marejados.
— Meu amor… você me assustou. — Sua voz tinha um peso que me apertou o peito. — Quando me ligaram dizendo que você tinha passado m*l, eu larguei tudo. Não faz ideia de como fiquei quando te vi desacordada.
— Eu… nem percebi que estava tão m*l. — Tentei sorrir, mas a preocupação dele me deixou sem jeito. — Só achei que era o trabalho…
Ele passou a mão pelo meu cabelo, um gesto suave, mas carregado de afeto.
— Você precisa cuidar mais de você, Lara.
Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu. O médico entrou, segurando uma prancheta. Um homem de expressão serena, mas com aquele olhar que carrega notícias importantes.
— Srta. Lara… — ele começou, olhando rapidamente para Theo antes de continuar — Recebemos seus exames. O que está sentindo não é nenhuma doença. Pelo contrário… é vida.
Franzi o cenho.
— Como assim?
O médico sorriu de leve.
— Você está grávida. Três semanas.
O mundo pareceu parar. Eu não soube se o silêncio que se seguiu foi porque minha mente travou ou porque Theo ficou sem palavras também. Mas então, antes que eu pudesse reagir, senti os braços dele me envolverem num abraço apertado.
— Meu Deus… — ele murmurou, com um sorriso enorme. — Você me deu o maior presente da minha vida.
— Theo… — minha voz era quase um sussurro. — Eu… eu não sei se estou preparada para isso.
Ele afastou o rosto, me olhando fundo nos olhos.
— Ei, olha pra mim. — A mão dele acariciou minha bochecha. — Ninguém nunca se sente cem por cento preparado. Mas eu vou estar com você em cada passo. Você não vai passar por nada sozinha.
— Mas… — tentei protestar.
— Amor… — ele me interrompeu, sorrindo com ternura — você vai ser a melhor mãe do mundo. E eu vou ser o homem mais feliz por construir essa família com você.
Senti as lágrimas virem, não sabia se de medo ou de emoção. Talvez dos dois. Mas, naquele momento, o calor dos braços de Theo e a certeza que brilhava nos olhos dele eram a âncora que eu precisava.