O ano é 1980, as coisas não estavam bem, a minha família vivia o auge do nazismo, escassez de comida, a economia estava em desordem e a maioria das famílias haviam fugido para sobreviver em outros lugares.
A minha mãe me deu a luz no dia 22 de setembro daquele ano, nasci de parto normal e eu sou quarto filho da família Brunner. Tive uma infância razoável com meus irmãos, mas, com o passar dos anos a nossa adolescência foi a mais c***l de todas. Meu pai tinha métodos um pouco agressivos, para nos tornar resistentes a dor, caso um dia, tivéssemos que enfrentar algum inimigo pelo caminho.
Quando completamos a maioridade, nosso pai marcava lutas clandestinas e com isso ganhava dinheiro por cada vitória. Aquilo era repulsivo e ao mesmo tempo satisfatório. Com tempo, a minha mãe adoeceu e acabou falecendo por tuberculose. Apartir daquele momento, estávamos entregues a sorte e os carinhos haviam cessados.
Com 21 anos, trabalhava em uma mina de carvão, o salário era pouco e m*l dava para se alimentar. Dois dos meus irmãos saíram de casa e foram morar na Inglaterra, atrás de riquezas e oportunidade de mudar de vida.
Em uma noite chuvosa em um bar, tomando a minha cerveja, conheci um homem e ele se apresentou a mim, como dono de uma empresa que lucrava milhões de dólares em outros países. Eu o questionei sobre o que ele trabalhava, mas, ele apenas me disse que se eu quisesse ter uma oportunidade de melhorar de vida, poderia me ajudar e que apenas me apresentasse no local descrito no cartão de visitas que ele me deu.
Por um momento, achei estranho seu comportamento, mas, como vivia na miséria e meu pai estava se afundando na bebida, resolve que era hora de voar mais alto e aceitei o seu convite. Naquela noite chuvosa, aquele homem bem trajado de terno, sai pela porta do bar e eu fiz o mesmo indo para casa.
Tudo foi muito rápido, arrumei uma pequena mala e no outro dia acordei cedo para ir ao escritório do Sr. Paul e chegando lá o aguardei. Aos poucos fui ganhando missões, as minhas tarefas eram cobranças financeiras de pessoas que não o pagavam e todas elas sempre quitava as suas dividas comigo. Eu estava ganhando muito dinheiro e um dia, o Sr. Paul me chamou para ter uma conversa séria e convidou-me para fazer parte da sua empresa.
- Úria, nos últimos meses você se tornou o meu braço direito aqui, não teve falhas e os acordos sempre são quitados com a sua presença. Então, faço lhe um convite, eu tenho uma pequena empresa em Montreal e quero que você assuma administração dela. Isso seria possível?
- É claro que eu aceito, Sr. Paul!! Não vou lhe desapontar!
Com vinte cinco anos, era empresário bem sucedido e com uma fortuna avaliada em dois milhões de dólares. Nesse momento, penso na minha família e tomo a atitude de buscar meu pai e os meus dois irmãos. Mas, chegando lá recebo a notícia, que meu pai não estava mais vivo e havia sido enterrado junto com a minha mãe.
- Quando foi isso, irmão?
- Faz dois meses, Úria!! Ele estava bebendo demais e não tinha muito o que fazer...
- E o que vocês dois vão fazer agora?
- Eric e eu vamos trabalhar nas minas de carvão!!
- Bem, eu faço um convite a vocês, para trabalhar comigo na minha empresa e ganhar um bom dinheiro.
- Como assim, sua empresa Úria?! Como conseguiu?
- Agora não importa isso, vocês querem ou não?
- Qualquer lugar é melhor do que trabalhar nas minas de carvão, então, vamos com você!!
- Arrumem uma mala com pouca coisa, que em Montreal compro roupas para vocês...
Ao sair daquela casa, me fez refletir as lembranças de um passado não tão distante, meu pai não foi um exemplo, mas, nos tornou fortes o suficiente para encarar a vida. Agora, posso dar uma oportunidade melhor aos meus irmãos e eles terem uma vida confortável.
Semanas depois consegui, contato com os meus outros dois irmãos que moravam na Inglaterra e eles também se juntaram a nós. Trabalhávamos arduamente, conquistando riquezas e sendo prósperos. Ganhamos espaço entre os melhores, tínhamos visibilidade e fechamos acordos milionários com outras instituições.
Tudo estava indo perfeito, até que sete anos depois, em uma festa conheci a mulher da minha vida, o nome dela era Sophie e perfeitamente deslumbrante. Uma mulher elegante, inteligente e extremamente observadora.
Em um mês nos casamos e fomos morar juntos em minha mansão. Tudo era felicidade, até que um dia ela foi sequestrada e abusaram dela causando sequelas horríveis. Sophie não falava mais, estava emagrecendo e todas noites acordava gritando por causa dos pesadelos. Foram quase cinco anos, procurando alternativas para cura-la e tudo era em vão, em minhas buscas consegui achar um cientista em Roma e ele poderia ajudar a minha esposa.
Porém, quando fui ao seu encontro, descobri que havia sido assassinado em uma explosão de barco junto com a sua esposa e as minhas esperanças haviam sido retiradas de mim. Após várias investigações, descobri que a filha do casal estava viva e ela seria a chave onde abriria um cofre. Lá continha, todos os registros de estudo onde poderia salvar a minha mulher e estava em um banco na Espanha.
Um tempo depois, de muito trabalho e estratégia, consegui a posse deste documentos em meio a uma guerra de máfias.
- Aysha, agora que você me ajudou, vou deixa-la livre! Eu poderia dar fim em você, pois, Adam matou meus irmãos para salva-la. No entanto, como colaborou comigo, em ajudar a curar a minha mulher, te deixo livre e estamos quites.
- Eu agradeço e espero nunca mais te ver Úria...
Entramos no galpão após o ato do banco, Lee fez uma emboscada para tirar os documentos de mim, após toda a confusão e tiroteios, consigo fugir para longe junto com Klaus e a minha última visão foi ver Aysha no chão machucada.
- Vamos sair daqui, essa guerra não é nossa!!
- Deixei o nosso carro mais adiante Úria, vamos cortar caminho por aqui...
E assim, saímos ilesos dos tiroteios e indo de retorno para casa, ao chegarmos na pista de decolagem entramos no avião de volta para Montreal e horas depois colocando os pés na mansão. Eu recebo a pior notícia de todas...
- Sinto muito, Sr. Úria!! A sua esposa não resistiu a duas paradas cardíacas, ela foi encaminhada ao hospital, porém, chegou sem vida.
Naquele momento, a minha vida se escorria pelos meus dedos de tristeza, perdi o amor da minha vida e não consegui chegar a tempo para salva-la.
No outro dia foi o enterro, estava uma tarde fria de inverno, poucas pessoas vieram dar o último adeus e quando todos foram embora falei as últimas palavras a minha amada.
- Meu amor, me perdoe por não conseguir chegar a tempo!! Vou sentir a sua falta e descanse em paz...
Após os atos fúnebres, retorno para casa cansado, a empregada chega com a notícia que tem duas pessoas esperando por mim no escritório e vou até lá saber quem são e o que querem.
- Boa tarde, senhor!! E minhas condolências pela sua esposa...
- Quem são vocês e o que querem?
- Sr. Úria, está é a irmã de sua esposa, um tempo atrás ela me confidenciou que gostaria que se algo acontece com ela, era para o senhor tomar conta desta garota...
Ao observar aquela moça, vejo o quanto é frágil e esguia, cabelos compridos castanhos claros e tímida. Nao parece em nada com Sophie, talvez seja alguma irmã afastada e eu faço algumas perguntas a ela:
- Qual o seu nome?
- Me chamo Melina...
- Qual a sua idade?
- Eu tenho 17 anos senhor!!
Eu respiro profundamente e pergunto ao advogado o que mais a minha finada esposa pediu.
- Mais alguma exigência, que Sophie lhe solicitou?
- Não e aqui esta os documentos dela, certidão de nascimento, passaporte e documento de identificação.
Vou até o interfone e chamo a empregada, em seguida ela aparece na porta e a peço que leve a garota ao quarto de hóspedes. Me despeço do advogado e ele sai pela porta acompanhado do meu segurança. Em meus pensamentos, por qual motivo Sophie pediu para cuidar da sua irmã? Espero que com o tempo, ache respostas para isso e essa moça não me cause problemas.