Golpe de mestre

896 Words
A inconstância da minha vida fez o mercado se abalar, executivos da empresa já não confiavam mais em mim e me jogaram em segundo plano, eu não assinava mais pela empresa, meu casamento com Dereck aconteceu como ele havia planejado, mas vivíamos em quartos separados, eu não deixei que me tocasse, concordando em fazer tudo que queria, e aos poucos tudo que era de Vincent, vi ser passado para Dereck, tudo muito lento, sua fortuna escorregando pelos meus dedos, um mês de puro estresse e dor por estar tão longe e incomunicável, minha atenção era para Kristen e para Amélia, aquela senhora precisava de ajuda e cuidado e eu era a melhor pessoa para fazer aquilo, algo me dizia que eu estava ali justamente por causa dela, Dereck voltou a França com uma procuração minha para tomar posse da diretoria e dos negócios, eu não podia fazer nada, ninguém sabia onde eu estava, a casa não tinha telefone e eu vivia sobre forte segurança, Catarine que fazia as compras e trazia o que eu queria, viver naquela fazenda até que não era ruim, eu me sentia como se estivesse em Axton, vivia uma vida simples e em família, uma família esquisita que o marido e a esposa não se tocavam. Kristen está ficando cada vez mais bonita, Dereck tinha razão, soubemos fazer uma filha linda, seus olhos estavam ficando azuis como os deles, mas seus cabelos castanhos eram meus, cabeludinha e espetada era a emoção da casa. Fiz Dereck comprar equipamentos hospitalar para a mãe dele, a instalamos bem no seu quarto e eu cuidava dela como uma enfermeira amorosa, ela chegava a sorrir para mim quando fazia massagens em seu corpo inerte, aquela mulher sofreu e muito na vida, era visível em seu olhar, ela era triste e deve ter amado muito Vincent, e acredito que ele também, mas os destinos os separaram e talvez Vincent se esqueceu dela por um bom tempo. Dois meses se passaram, Dereck está na França cuidando de tudo, eu já não fazia mais parte de nada, nem assinar pela empresa não fazia mais, ele deu o golpe direitinho me fazendo assinar documentos de livres doações, assinava sem me questionar e meu coração não doía mais, pois mesmo dizendo que eu estava em primeiro lugar, eu sabia que não, mas por outro lado só em saber que não iria mais ser escrava daquela fortuna, eu me sentia aliviada, eu ainda tinha meus investimentos por fora, tinha minha casa em Axton e se um dia ele quisesse me abandonar, eu tinha para onde ir, mesmo sozinha e com a minha filha nos braços, tomei um banho e desci com Kristen depois de fazê-la mamar, deixei com Catarine e segui para o quarto de Amélia com seu café da manhã. "Bom Dia Amélia!", disse sorrindo apoiando a bandeja na pequena mesa, parei diante dela e acariciei seus cabelos grisalhos agora cortados. "Ahhhh!", respondeu ela e sorriu de leve. "Está com fome?". Amélia sacudiu a cabeça, "Mas precisa comer!". Peguei o controle da cama e a coloquei sentada, ajeitei seu travesseiro e coloquei o babador, puxei a mesa com o café da manhã e comecei a lhe dar o mão raspadinho, comeu sem reclamar, mesmo sempre dizendo que não estava com fome, ela comia, olhei para a porta, senti a presença de alguém, Vincent finalmente deu as caras, ele estava ali em pé, olhando com um sorriso grato, eu estava aonde ele queria que eu estivesse, seus olhos para ela era de amor e arrependimento, aquilo tudo era sua culpa e eu sentia isso vindo dele, só descansaria quando tudo aquilo terminasse, minhas lagrima vieram a tona, ele a esperava por ela; um pensamento veio a tona, eu poderia ter aceitado me casar com Dereck na época, e ter poupado Nigel mais uma vez. Amélia levou a mão ao meu rosto, tremia sem parar, eu a olhei e sorri entre lágrimas e eu a abracei com carinho, eu a amava e entendia seu sofrimento, eu precisava aprender a amar Dereck, ele precisava se sentir amado, - "mas como, eu ao sei" - eu ainda sentia nojo e repudia pelo que fez e estava fazendo, talvez minha vida fosse aquela, ao lado de um homem perturbado e Nigel seria sempre o grande amor da minha vida e nada mais que isso, eu tinha que aceitar meu destino e seguir em frente como uma mulher comum, enfermeira da minha sogra, esposa de um desequilibrado que quer dominar tudo que um dia foi do pai que o abandonou. "Está tudo bem!", disse olhando para Amélia, "Eu só quero que a senhora se sinta bem!". Amélia concordou com a cabeça, eu acariciei seu rosto e lhe dei um beijo, "Vincent sempre a amou Amélia, mas ele era covarde o suficiente para não assumir esse amor!". Amélia desfez o sorriso e contraiu as mãos, seus olhos se encheram de dor e seu rosto se torceu em magoa, "Eu não sei o que aconteceu entre vocês e por que foi embora... Mas eu acredito que ele a amou e muito... Acredito que não estou aqui a toa Amélia... Mas eu ainda vou descobrir a verdade e vou contar a você!". Uma lágrima de seus olhos escorreu e ela se fechou em si, Vincent sumiu de minhas vistas, eu o mentalizei, pedi para voltar, mas nada, ele me deixou ali.
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