Nós nos separamos na hora e nos viramos na direção da voz, era aquele mesmo menino da balada no outro dia, eu finalmente olhei para a mão da Manu e la estava a aliança, ela olhava pro chão apertando as duas mãos. Ela levantou o olhar pra mim, o olho dela já estava marejado e só foi a lagrima cair que ela pegou a bolsa e saiu correndo, eu tentei ir atrás dela, mas e moleque me segurou pelo pulso
-onde pensa que vai?- ele disse
-me solta c*****o- disse e me soltei dele
-quem você pensa que é
-escuta aqui, eu nem te conheço e não queira arrumar briga comigo
-e porque não faria isso? Você estava beijando minha namorada
-acho que não mais
-o que disse?
-porque ela ficaria com um fracassado como você se ela tem a mim?
Ele não disse mais nada, só acertou um soco no meu rosto. É uma vergonha admitir isso, mas o soco foi certeiro e eu cai, ele veio pra cima de mim me dando vários outros golpes, a única coisa que eu conseguia fazer era colocar minhas mãos na frente do meu rosto pra me proteger o que não esta adiantando muito. Quando ele finalmente parou e se levantou eu achei que ele já tinha acabado, fechei os olhos e do nada eu apaguei
Acordei depois, numa sala toda branca, só algumas coisas que eram de um azul bem claro, virei pro lado e não tinha ninguém, claro! Quem ia estar aqui? Tentei me sentar, mas minha cabeça doía, levei minha mão até a minha testa e tinha um curativo, do lado da minha cama estava o meu celular, eu estiquei a mão com um pouco de dificuldade e o peguei, já era uma da tarde. Assim que eu coloquei o celular de volta na cômoda a porta se abriu e a Manu entrou com um lanche na mão e um suco na outra
-você acordou?- ela perguntou se sentando na poltrona do meu lado direito
-não, é só uma miragem
-não precisa ser grosso assim
-e grande também- ela ficou constrangida
-pare de falar besteiras, eu fiquei preocupada
-você me beijou, namorando
-aquilo não vai acontecer de novo- eu ainda não sei por que, mas me veio uma vontade de chorar, minha expressão de confusão deveria estar evidente- foi um erro Castiel, eu...
-o que você está fazendo aqui?- perguntei serio, se ela não me quer eu que não vou ficar chorando por ai
-o que?- agora ela quem estava confusa
-se aquilo foi um erro, porque esta aqui?
-fiquei preocupada com você, eu- ela ia dizer mais alguma coisa, porem ficou quieta
-ola- uma enfermeira entrou- que bom que já acordou, eu vou te dar um remédio que vai te deixar sonolento, vai dormir até hoje a noite, seus pais podem vir te buscar
A Manu se levantou e ficou esperando a enfermeira me dar o remédio, o efeito não demorou tanto quanto eu imaginava e assim que ela me deitou eu fechei os olhos e dormi, simplesmente dormi. Eu acordei a noite e já não tinha ninguém na sala, me virei pro lado e do lado do meu celular estava um lanche natural e um suco, sendo segurando pelo suco tinha uma folha eu peguei e comecei a ler
*me desculpa Castiel, eu não deveria ter feito aquilo, eu me deixei levar pelo momento, me desculpa mesmo, mas eu acho melhor a gente parar de se falar por um tempo, queria que não fosse assim, mas eu não tenho saída não tenho o que fazer. Eu gosto de você, mas*
Ela não terminou de escrever, ela gostava de mim e porque ela quer parar de falar comigo? Eu peguei o celular e liguei pra minha mãe, ela ficou falando meia hora, mas disse que já estava vindo com uma roupa minha, eu comi o lanche e fiquei esperando ela que logo chegou, eu peguei minhas roupas e tomei um banho, depois ela deu baixa e fomos pra casa, peguei meu fone e coloquei no volume Maximo. Minha mãe ficou falando o caminho todo, como se eu estivesse escutando
Aquela menina mexeu comigo. Como ela diz que gosta de mim e que tem que parar de falar comigo? Não, eu não aceito isso, amanha no treino eu vou falar com ela. Me joguei na cama e fiquei a noite toda pensando naquela garota. No dia seguinte eu dei um migué e não fui pra escola, minha mãe saiu pra fazer compras porque meu pai chega hoje a noite de uma viagem eu movia o papel entre meus dedos pensando no porque de tudo aquilo até dar a hora do treino, eu cheguei la mais sedo, mas ela não estava la
Foi assim o resto da semana, ela não foi treinar. Pela primeira vez na minha vida eu não sai no final de semana, fiquei o dia todo jogado na cama, só saia do quarto pra comer, no jantar “em família” eu ficava quieto enquanto meus pais conversavam avivadamente, depois eu subia e ficava horas com o papel na minha mão
Na segunda eu fui mais cedo, não com a esperança de encontrá-la e sim de ficar sozinho, eu passei pela sala de ginástica e ouvi a voz dela, fui indo de vagar até la. Ela gritava com aquele moleque, estava com o dedo na cara dele. Quando ele começou a responder segurou com força seu braço, eu via que estava doendo, queria ir la e separá-los, mas alguma coisa me impedia, eles ficaram naquilo até ele dar um soco no rosto dela que a fez cair, ele falou alguma coisa apontando pra ela que estava no chão e depois deu um chute na sua barriga e saiu pela porta de trás
Eu entrei correndo até ela, seu nariz sangrava e ela estava tremendo e com os olhos fechados, a única coisa que eu quis fazer foi ir atrás dele e o matar
-Castiel?- ela disse ainda de olhos fechados
-como sabe que sou eu?- disse a pegando no colo
-seu cheiro
-abre os olhos Manu
-não consigo
Eu corri com ela até a enfermaria da academia e tratei de deixar avisado para o seu Gustavo, ela ficou sendo cuidada pela enfermeira até conseguir abrir os olhos e depois a medica disse que eu poderia ficar com ela
-você viu?- ela disse olhando pra outro lugar
-porque você esta com ele?
-longa historia
-você gosta dele?- ela deu um sorrisinho sem graça
-não
-e por quê?
-ele é meu primo
-o que? você namora com seu primo
-para Castiel
-eu sei, foi mal
-a minha tia me acolheu eu fui pra New York, eu tinha só sete anos, mãe morta. Você sabe eu te contei, nessa época o Viktor morava com o pai, quando eu completei dezesseis ele estava com vinte anos e voltou a morar com a minha tia. Teve uma noite em que eu estava dormindo, tinha competição no dia seguinte e ele também. Ele me... ele me- ela olhou pra mim e depois pro chão
-eu já entendi, não precisa falar
-desde então nós ficamos juntos e caso isso não aconteça ele vai voltar a fazer o que fazia comigo, ele dizia que ia falar pra tia Agatha me colocar pra fora e eu acreditava, achei sim de uma certa forma que eu vindo morar com meu pai ele pararia com isso, mas foi pior, porque a ameaça agora é outra
-e qual é?
-ele diz que é capaz de matar a própria mãe