A porta do quarto abriu lentamente. Henrico entrou ainda vestindo preto, a expressão fechada depois de um dia inteiro fora da mansão. Mas parou imediatamente ao olhar para a cama. Heloísa ainda estava lá. Com o mesmo uniforme. Os cabelos bagunçados. O rosto pálido afundado no travesseiro. As luzes apagadas deixavam ela ainda mais frágil. E aquilo atingiu Henrico como um soco. Porque ela realmente não tinha saído dali. Não tinha comido. Não tinha reagido. Nada. O quarto inteiro cheirava a tristeza. Henrico fechou a porta atrás de si lentamente. A mandíbula travada. Droga. Talvez tivesse pesado demais no castigo. Mas ela precisava entender. Precisava parar de desafiar ele. Parar de falar sobre fugir. Parar de agir como se pudesse simplesmente sair da vida dele. Mesmo assim…

