Avaré Narrando Sabe aquele momento em que a parada desanda de vez? Foi exatamente isso. A menina começou a gritar do nada, me chamando de maluco, falando que meu pai era um índio doido. Püta merda, aquilo me irritou de um jeito, já tava difícil manter a cabeça no lugar com o barulho todo. Ela não parava de berrar. ― Você é maluco! ― ela gritou. ― E Seu pai é um índio doido! Na boa, minha paciência não tava aguentando. Fui até o canto da sala e peguei um pano de chão, sujo mesmo, pouco me importava. Cheguei perto e enfiei na boca dela com força, amarrando bem pra não sair. Queria ver se ela ia continuar gritando. Se quiser gritar, agora vai ter que gritar pra dentro. ― Grita aí, se tiver sorte, sai pelo cü ― falei baixo, só pra ela entender a situação. Ela ficou olhando pra mim, olhos

