Avaré Narrando Tudo aconteceu rápido demais, e eu quase não consegui processar. Meu pai pegou minha mãe no colo, gritando que a culpa era minha. Ele tava fora de si, maluco de desespero. Eu senti um aperto no peito que parecia que alguém tinha jogado um peso enorme em cima de mim. A cena dela ali, desmaiada nos braços dele, parecia surreal. Eu queria ajudar, queria fazer alguma coisa, mas eu só conseguia olhar, sem saber o que fazer. Serena entrou no quarto correndo, desesperada, e quando viu nossa mãe daquele jeito, parece que o mundo dela desabou também. Mas, ao invés de ficar travada como eu, ela veio direto pra cima de mim, com a expressão de quem tava pronta pra me esfolar. — Avaré! — Ela gritou, empurrando meu peito com força. — O que você fez? Isso é tudo culpa sua, seu idïot

