Rita arregalou os olhos, indignada, mas Gabriel permaneceu em silêncio — o que, para Luna, soou como a pior das respostas. O ar na cozinha ficou pesado de novo, denso, como se as paredes respirassem junto com eles. Gabriel olhou para Luna e depois para a mãe, o maxilar travado. — Eu não tenho condições de fazer essa escolha — disse, finalmente. A voz saía firme, mas carregada de exaustão. — Uma é minha mãe. A outra é a mulher que eu amo. Eu não vou escolher entre vocês duas. Luna cruzou os braços, o olhar gelado. — É fácil falar quando não é você quem é tratada como lixo, né? — Luna, pelo amor de Deus, olha o que você tá dizendo... — É impossível resolver algo com a sua mãe — ela rebateu, cortando as palavras dele. — Porque ela não sabe ouvir! Rita soltou uma risada curta, amarga. —

