Gabriel chegou em casa com um humor que não era dos melhores. O silêncio dos corredores parecia pesar sobre seus ombros, cada passo marcado por um desânimo m*l disfarçado. Assim que entrou em seu quarto, tirou o terno com cuidado exagerado, como se aquele gesto meticuloso fosse a única coisa que ainda conseguia controlar. Pendurou-o no cabide para não amassar e, depois de soltar um suspiro longo, voltou para a sala. Sentou-se em uma das cadeiras com a expressão fechada, o cenho marcado, como se carregasse um peso invisível. — O que aconteceu? — Rita perguntou, espanador em mãos, observando o filho com a sobrancelha arqueada. — Pensei que estivesse mais feliz por causa do novo emprego. — Estou ótimo. — A resposta saiu curta, seca, quase um grunhido. Era óbvio que não estava nada bem. O

