A sala estava quase vazia. Do lado de fora, o barulho do intervalo soava distante — gargalhadas, o som metálico dos armários, passos apressados ecoando no corredor. Lá dentro, o silêncio era quase pesado. Gabriel estava sentado no meio da fileira, o corpo curvado sobre o caderno aberto. Mas não escrevia nada. A caneta girava entre os dedos, sem destino, enquanto o olhar fixava uma linha imaginária na folha. Luna entrou devagar. — Gabriel… posso falar com você? Ele não olhou. — Acho que já falou até demais, não acha? Ela suspirou, fechando a porta com cuidado. — Eu sei que passei do limite. — Passou — ele confirmou, sem levantar a cabeça. — E muito. — Tá. — Ela se aproximou, parando a poucos passos. — Mas você também não foi nenhum santo, não. Ele ergueu o olhar, surpreso. — Eu?

