A sala de jantar, que normalmente cheirava a café fresco e tranquilidade, agora exalava tensão e expectativa. Aline estava sentada sozinha à mesa, o jornal do marido estendido ao lado do prato e o silêncio pesado entre eles. Reinaldo, como sempre, folheava o caderno de economia, sereno — a calma absoluta de quem parecia não ter testemunhado o caos daquela manhã. A xícara de café esfriava diante de Aline, ignorada. O olhar dela, impaciente, se voltava repetidamente para a porta. — Eu ainda não acredito que você tá conseguindo ler jornal depois do que a gente viu, Reinaldo. — A voz dela soou cortante. — Ué, por quê não? — ele respondeu, sem levantar os olhos. — A manchete de hoje tá bem mais trágica do que o que a gente viu. — Trágico é o que aconteceu no quarto do Gabriel! — Aline reba

