Luna não ficou mais trancada no quarto. Depois da conversa inesperada e até reconfortante com Rita, se sentia mais leve, quase como se tivesse tirado um peso do peito. Agora estava esparramada no sofá da sala, de pernas cruzadas, assistindo a um programa qualquer na televisão. A pipoca estourava no micro-ondas quando sua mãe entrou em casa, trazendo o perfume adocicado do corpo misturado ao vento frio do fim de tarde. — Ainda acordada? — Aline arqueou uma sobrancelha, colocando a bolsa sobre a poltrona. — Pensei que fosse encontrar você fechada no quarto, de cara amarrada. — Já estive, mas cansei. — Luna deu de ombros, rindo de si mesma. — Ficar trancada não resolve nada na minha vida. Minutos depois, as duas estavam jogadas no sofá, dividindo a tigela de pipoca recém-feita. Conversavam

