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1151 Words
Algumas semanas se passaram desde a conversa com Mateus. A mansão continuava a mesma por fora. Imponente. Fria. Cheia de regras. Mas dentro dela algo tinha mudado. Os cinco irmãos já não escondiam mais o quanto estavam atentos a Mira. A segurança ao redor dela aumentou. Homens de extrema confiança deles passaram a ficar próximos aos corredores dela. Não porque ela era uma prisioneira. Mas porque, pela primeira vez, eles estavam tratando a segurança dela como prioridade. Mira percebeu. Percebeu cada detalhe. Cada cuidado. Cada olhar preocupado. Mas também sabia que uma tempestade estava se aproximando. Naquela noite, depois de tudo mais calmo, ela estava no quarto. Deitada entre eles. Como sempre tinha sido nos momentos em que o mundo ficava distante. Donatello estava atrás dela, com o braço envolvendo sua cintura. Ângelo fazia carinho em sua mão. Miguelito estava sentado próximo, passando os dedos pelos cabelos dela. Roivan e Chunal apenas observavam em silêncio aquela mulher que tinha se tornado o centro da vida deles. Mira respirou fundo. Ela estava tranquila. Mas sua mente estava cheia. — Donatello… Ele olhou para ela. — O que foi? Ela hesitou. — Eu estava pensando. Os cinco imediatamente ficaram atentos. Porque conheciam Mira. Quando ela dizia que estava pensando, geralmente era porque estava carregando um peso sozinha. — A gente sabe que uma hora isso vai chegar. O rosto deles mudou. Eles sabiam do que ela falava. Os casamentos. As alianças. As exigências de Mateus. — Quando o pai de vocês começar realmente com essa ideia de arrumar mulheres para vocês… Ela olhou para eles. — Vai ficar difícil. Donatello passou a mão pelo rosto dela. — Amor... Mas ela continuou. — Mesmo que vocês coloquem homens de extrema confiança guardando meu quarto, não vai ser suficiente. Ângelo franziu a testa. — Por quê? Ela respirou fundo. — Porque eu não vou ficar apenas no quarto. Uma pausa. — Eu vou andar pela mansão. Vou cruzar com pessoas. Vou estar nos lugares de vocês. Ela olhou para cada um. — E se elas tentarem alguma coisa? O silêncio ficou pesado. — Se elas tentarem mexer na minha comida? Se tentarem colocar alguém dentro da casa? Antes que ela terminasse, Miguelito respondeu: — Nós colocamos uma cozinheira só para você. Ela arregalou os olhos. — Amor, isso é demais. Donatello negou. — Não é. Ele segurou a mão dela. — Você é nossa mulher. A frase fez ela ficar em silêncio. — Nosso pai quer nos obrigar a casar? Ele deu de ombros. — Tudo bem. Ângelo completou: — Mas ele e elas precisam entender uma coisa. Roivan olhou para ela. — A nossa mulher é você. Chunal falou firme: — Isso não muda. Mira ficou olhando para eles. — Vocês falam como se fosse simples. — É simples — Donatello respondeu. Ela balançou a cabeça. — Não é. Ela suspirou. — Serão cinco mulheres contra mim. Chunal deu um sorriso pequeno. — Então teremos oito homens da nossa confiança protegendo seu quarto. Ela olhou para ele. — Ninguém passa? — Ninguém. Donatello continuou: — Uma cozinheira exclusiva. Miguelito: — Uma cozinha separada. Roivan: — Guardas nessa cozinha. Ângelo: — Sua comida e a nossa serão separadas de tudo o resto. Mira ficou olhando para eles. — Vocês estão falando sério? Donatello beijou a testa dela. — Nós vamos comer aqui. Ele apontou para o quarto. — Nós vamos ficar aqui. — Só vamos sair quando for necessário resolver algo do império. Mira ficou nervosa. — Não. Todos olharam para ela. — Isso vai virar uma guerra. Ela se sentou. — Eu não posso aparecer com vocês pelo jardim, pelo palácio, pela cidade. Ela balançou a cabeça. — Não posso. Ângelo tentou falar, mas ela continuou: — Elas vão trazer servas de confiança delas. Os cinco ficaram sérios. — Mateus vai permitir. Ela respirou fundo. — E essas pessoas podem virar um problema. Ela olhou para eles. — Eu continuo oculta. Uma pausa. — Se eu tiver que andar pelo jardim, eu ando protegida pelos homens que vocês escolherem. Ela apertou a mão de Donatello. — Se eu precisar ir à cidade, eu vou. — Mas fora isso, é melhor assim. Os cinco se entreolharam. Não gostavam. Mas entendiam. Porque Mira não estava pensando apenas nela. Ela estava pensando em todos. Então Donatello falou: — Entende uma coisa, Mira. Ela olhou para ele. — Nós vamos fazer um contrato. Ela franziu a testa. — Contrato? Ângelo explicou: — Dois anos. — O casamento vai existir oficialmente por dois anos. Miguelito completou: — Mas vamos fazer um acordo separado. Roivan continuou: — Um contrato que ninguém, além da nossa contabilidade de confiança, vai saber. Mira ficou em silêncio. — E nesse contrato? Donatello respondeu: — Divórcio. Ela arregalou os olhos. — Quando completar dois anos oficialmente, elas estarão divorciadas. Chunal sorriu de lado. — E nós teremos controle total da nossa parte do império. Mira ficou preocupada. — Mas se Mateus descobrir? Ângelo respondeu: — Ele não vai. — A documentação ficará protegida. — Nossa contabilidade de confiança vai cuidar. Ela ainda parecia insegura. Então fez a pergunta que estava presa dentro dela. — Vocês realmente não vão encostar nelas? O quarto ficou em silêncio. Donatello olhou para ela. — Mira... Ela desviou o olhar. — Vocês sabem que vai ser difícil. Sua voz ficou baixa. — Vocês vão estar diante da sociedade fingindo ser maridos delas. Ela engoliu em seco. — Vai chegar uma hora que vocês vão entrar naquele quarto. Uma pausa. — Vão ver elas trocando de roupa. Ela ficou quieta por alguns segundos. — E não vai existir desejo? Vontade? Ela olhou para eles. — Afinal, elas vão ser suas esposas. Donatello segurou o rosto dela. — Para. Ela ficou em silêncio. — Não deixa o medo falar mais alto. Ângelo completou: — Nós já falamos. Miguelito: — Nós não vamos fazer isso. Roivan: — Elas serão títulos. Chunal: — Você é nossa escolha. Mira respirou fundo. Depois de alguns segundos, falou: — Então só me prometam uma coisa. Os cinco esperaram. — Se algum dia isso mudar… Ela olhou para eles. — Se algum dia vocês quebrarem essa regra… Sua voz falhou. — Me contem. Donatello respondeu sem hesitar: — Nós vamos contar. Ela fechou os olhos. — Eu só queria saber se um dia eu descobriria por acaso que uma delas está grávida de vocês. O silêncio foi imediato. Porque aquela era a maior insegurança dela. A maior dor. Donatello puxou ela para perto. — Isso não vai acontecer. Ângelo beijou sua mão. — Você tem a nossa palavra. Mira ficou alguns segundos em silêncio. Então finalmente relaxou nos braços deles. — Tá bom. Uma pequena pausa. — Eu vou confiar. E naquela noite, entre promessas e medos… Os cinco entenderam uma coisa: O casamento poderia ser uma obrigação para o mundo. Mas a escolha deles… Sempre seria Mira.
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