Kayly Narrando...
- Você acha mesmo que ele irá te morder de novo?
- Acho que sim!
- Acha mesmo que ele não seguiu em frente?
- Acho que sim!
Suspirei derrotada... Achar não é ter certeza ... Eu apenas esperava por algo bom depois de tantos anos...
- E você acha mesmo que Victor ainda irá te querer de volta?
Perguntei achando que não era a única derrotada aqui... mas me enganei...
- Eu tenho certeza... Afinal ele não me rejeitou!!
Falou com um olhar de orgulho...
- Odeio você!
Falei em ton de deboche...
- Eu sei!!
Ela rebateu... me fazendo sorrir...
Estela foi minha única companhia nesses vinte e cinco anos, foi um processo doloroso, ter que ceder as trevas, para conseguir ter poder, ter que ceder as forças opostas para conseguir sobreviver.
Quando cedi as trevas Estela conseguiu força para invocar a companheira de Victor, e assim retomar o seu próprio corpo, ficamos inconscientes por dias quase interminaveis, agora somos dois tipos de híbridas diferentes, Estela é uma loba e uma bruxa, e eu sou uma vampira e uma loba, o meu lado bruxa era Estela, e o lado vampira de Estela era eu, e agora estamos separadas, e mais que nunca nos acho parecidas, com a mudança meus olhos voltaram a cor que eu herdei dos meus pais, verde esmeralda, e os de Estela eram vermelhos sangue.
Finalmente conseguimos sair de lá, petrificados os portais para que ninguém entrasse e ninguém saísse de lá, mas ouve uma rachadura em um dos portais, talvez pela grande concentração de magia no mundo humano, então voltamos para buscar a última chave que falta para podermos fechar o portão das trevas, o nosso tempo é curto, pois em breve essa rachadura se transformará em um buraco, e todos os seres das trevas saberam que os portais não estão mais protegidos, e começaram sua jornada para tomar o mundo humano, em Latet é mais fácil lutar, pois lá é feito de magia, tudo é magia, mas aqui, teríamos que treinar muito para nós adaptarmos a essa essência pesada.
Estamos à alguns metros de uma grande festa, que logo presumo ser a alcatéia de Eithan, fecho os olhos, e deixo os sons me levarem até ele, me fazendo ouvir sua voz pela primeira vez em minha nova vida, minha loba estremesse, meus olhos marejaram um pouco, fazendo Estela sentir quase o mesmo, mesmo separadas, ainda somos ligadas por magia, a maioria das coisas que eu sinto ela também sente.
- Acho que seu caminho é em frente! Mas o meu é por esse outro lado... Boa sorte!
Disse ela sentindo o cheiro de seu companheiro.
- Obrigada eu vou precisar!
Acenei, e ela foi ao encontro de Victor, eu eu continuei seguir em frente em passos lentos, quando repentinamente escuto as folhas se mexerem, e sinto cheiro de muitos lobos diferentes e cheiro de transformados, mas um cheiro em familiar me chama a atenção, era o Alfa Lucas, achei que ele tinha voltado para sua alcatéia.
- Quem é você? Indentifique-se!!
Disse um jovem transformado, tremendo com sua arma, sua voz era firme, ele tinha cabelos ruivos, pele bronzeada, e olhos cinza, um bom banquete se eu não estivesse aqui para reconquistar meu lugar, então apenas abri um sorriso amigável, e percebi seus olhos passarem por todo meu corpo nú.
- Abaixem as armas!!
Uma voz firme ecoou no meio de nós, e essa voz eu conhecia.
- Lucas?
Perguntei com um alívio em ver alguém conhecido.
Ele se ajoelhou diante de mim, e rosnou para os outros ordenando que fizessem o mesmo, em questão de segundos estavam ajoelhados, menos o transformado, era um garoto de honra, gostei dele, Lucas se levantou um pouco revoltado com ele, rosnava em frente ao seu rosto, mas o garoto rosnava de volta.
- Por que não se dobrou Henri?
Ele falou rosnando bem próximo, como se fosse atacar...
- Ela não é Luna da alcatéia para que eu me dobre a ela!!!
Ele gritou no rosto de Lucas, fazendo-o pegar em seu pescoço com muita força.
- Solte-o Lucas por favor.
Ordenei, e ele o soltou imediatamente, Henri olhou em meus olhos, com raiva, e eu apenas lhe dei um sorriso.
- Você tem coragem garoto! Mas também não tem controle sobre sua forma Lupina não é?
Ele me olhou espantado, e baixou a guarda, seus ombros caíram e seu olhar virou de tristeza.
- Eu ja matei muitos e não me orgulho disso, ninguém consegue fazer eu me controlar....
- O Tau da matilha o treinará...
Todos me olharam surpresos, e Lucas apenas sorriu.
- E quem é você para mandar no Tau?
Uma outra voz aparece por lá, esse e um lobo original, mas com certeza jovem... Não me preocupei em responder deixei que Lucas fizesse isso...
- Ela é a Luna da alcateia!!
O garoto logo se espantou e recuou, baixando o olhar com respeito.
- Luna, deseja alguma coisa?
- Sim Lucas, por favor, eu queria um vestido branco...
Ele fez uma leve reverencia, e saiu, enquanto os outros ficaram me olhando, ele não demorou nenhum pouco, estava de volta com um lindo vestido branco completamente solto, e longo, exatamente o que precisava naquela hora. Me vesti, e eles me escoltaram ate a festa, de longe senti o cheiro do meu companheiro, seu cheiro me fizera tanta falta, minha loba estremece ao sentir aquele cheiro tão gostoso, ele não demorou a me sentir, e sua voz saiu alta e grossa.
- Minha!!
Eu sabia que era comigo, ele correu em meio aquela multidão de lobos, vampiros e bruxas, o seu toque me fez gelar, aquele toque delicioso e forte, aquela voz em meu ouvido, sua respiração sempre pesada, seu corpo quente em contato com minha pele quase sem vida, seu toque estava me fazendo quase ronronar em seus braços, eu queria que ele me tomasse ali mesmo, eu sentia falta de nossa ligação, nada era mais prazeroso para mim do que ser dele, eu era dele e apenas dele, e queria voltar a ser, nos envolvemos em um beijo calmo, de saudade, que logo se transformou em beijo desesperado, seu sabor era o melhor que eu já tinha posto em minha boca, eu havia esquecido o quanto precisava dele, e agora parecia estar tendo uma crise de abstinência.
Mas logo me afastei ao ver ela, minha princesinha, minha menina, tão crescida, tão linda, ela estava tão parecida comigo, eu a abracei, chorando, e senti um calor nos dominar, eram os braços de Eithan, ele nos rodeava, com carinho, senti que seriamos uma família de novo, demoramos muito nesse abraço, e alguns cheiros familiares nos rodearam, e como uma criança corri para o abraço, mas infelizmente nem tudo é como queremos, vi uma mão feminina se entrelaçar na de Eithan, quase não acreditei, mas o que eu posso fazer, ele tinha que seguir em frente, era um direito dele, direito esse que eu não posso retirar, e muito menos exigir que ele passasse toda sua vida sozinho, eu tomei minha escolha, e ele tomou a dele, assim como ele seguiu em frente, eu também seguirei, mesmo lembrando de tudo de bom que tinha nos acontecido em pouco tempo juntos, sua atitude me fez lembrar de todos os momentos ruins, e eu só tinha uma pessoa a quem recorrer...
Ithan....