Acélia Empurro a porta do primeiro quarto que encontro com o pé, já que minhas mãos estão ocupadas tentando segurar o que restou da minha dignidade e o sobretudo de Rovani, que insiste em escorregar. O quarto é impecável. Cinza, branco, minimalista — parece a pørra de uma propaganda de revista de decoração onde ninguém realmente vive: lindo, perfeito e vazio. Bufo, passo minhas mãos pelo rosto e finalmente, com um suspiro que mistura alívio e ódio, arranco o maldito salto que resta no meu pé esquerdo. Olho para o sapato na minha mão como se ele fosse o culpado por todas as desgraças da minha linhagem. Jogo-o longe. — Capitão de infantaria... — resmungo, imitando a voz dele enquanto começo a desabotoar o sobretudo. — "Lave o que sujar", "não suba a escada", "não respire sem pedir auto

